Tropas etíopes retiram-se da Somália

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- A Etiópia começou a retirar as suas tropas da Somália depois ter lançado uma curta guerra neste país vizinho para defender a sua própria segurança, anunciou quarta- feira em Addis Abeba o primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi.
Sem precisar a data da retirada definitiva das tropas, o primeiro- ministro etíope declarou que não haverá um vazio de segurança na Somália, pois a retirada das tropas foi planificada para coincidir com o desdobramento de soldados da Missão da União Africana na Somália (AMISON).
"Lançámos a primeira fase da retirada que está programada para coincidir com as medidas de estabilização decididas pelo Governo Federal de Transição (GFT) do país", declarou.
A retirada que abrange mais de 200 soldados segue-se à conclusão do desarmamento e da reintegração das milícias de que se serviram os senhores de guerra para combater o GFT, explicou Meles.
"A Etiópia tinha enviado em finais do ano passado quatro mil soldados para apoiar o GFT no seu combate contra as forças extremistas da União dos Tribunais Islâmicos (UTI) actualmente dispersados e que invadiram quase todo o país", disse.
Meles Zenawi declarou que a questão de retirada dos soldados etíopes foi discutida com o Presidente somalí, Abdullahi Yusuf.
"Isto foi decidido de tal modo que o Governo de transição possa retirar-se após a consolidação.
A última fase da retirada das tropas coincidirá com o desdobramento das tropas da UA", ressaltou.
O único problema levantado pelo primeiro-ministro etíope é a disponibilidade de recursos para facilitar as operações da AMISOM, se os doadores se opuserem a dar o apoio necessário.
Segundo ele, a decisão tomada pela Etiópia de partir não é fundada na resolução da UA de enviar a sua missão de manutenção da paz à Somália.
"Baseamos a nossa decisão na nossa compreensão e no acordo com o GFT.
Está programado para coincidir com o primeiro obstáculo em termo da estabilização da Somália, quer dizer o ligado à gestão das milícias dos diferentes senhores de guerra", sublinhou.
Meles Zenawi expressou a sua satisfação pelo programa de diálogo inter-somalí em curso que foi anunciado pelo GFT, notando que está consciente de que os "peritos têm opiniões diferentes sobre a questão, mas nem sempre têm razão".
"Se o GFT tivesse fundado as suas acções nas análises destes peritos, estaria morto e sepultado actualmente", considerou o primeiro- ministro etíope.
"O GFT tem razão de ignorar as análises dos seus peritos e fazer o que deve fazer para envolver todos os sectores da sociedade somalí no diálogo", insistiu.
Disse que decidiu ter confiança nos cidadãos somalís e acredita que eles podem resolver os seus próprios problemas segundo as suas estratégias em vez de colocar a sua confiança nos conselhos dos peritos em relação aos que devem ser implicados ou excluídos do processo de diálogo.
No que lhe diz respeito, a Etiópia fez o que deve para a sua segurança ao lado da Somália, garantiu o primeiro-ministro etíope.
"Gostariamos de ultrapassar esta etapa e ajudar os somalís a restabelecer-se.
Estamos a ajudar os somalís no possível", acrescentou.
Sublinhou que a segunda razão que levou os soldados do seu país a combater na Somália era ajudar a população o máximo possível.
Os soldados etíopes permanecerão, todavia, em Mogadíscio, a capital da Somália, até à retirada total no resto do país.
No plano diplomático, Meles declarou que a Etiópia conseguiu explicar a vários países as suas acções e as razões da sua intervenção na Somália.
No que diz repeito aos prisioneiros de guerra, o primeiro-ministro etíope declarou que existem alguns combatentes estrangeiros na Etíopia e vários deles nas mãos do GFT.
"Quando todas as informações possíveis serão recolhidas, decidiremos sobre o futuro dos combatentes estrangeiros provenientes dos países amigos.
Relativamente aos combatentes dos outros países, eles serão tratados duma outra maneira", declarou.

25 Janeiro 2007 09:48:00




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