ONUCI impedida de investigar sobre existência de valas comuns na Côte d'Ivoire

Abidjan, Côte d'Ivoire (PANA) – Uma equipa da Operação das Nações Unidas na Côte d'Ivoire (ONUCI) foi impedida, pela segunda vez, de realizar investigações em N'Dotré, na periferia de Abidjan, na sequência de alegações sobre a existência de valas comuns, declarou o chefe da Divisão dos Direitos Humanos da ONUCI, Simon Munzu.

« Terça-feira úlima, a missão de inquérito foi parada e impedida por elementos das Forças de Segurança em N'Dotré de continuar as investigações e fomos obrigados a regressar a Abidjan sem  terminar a nossa missão », afirmou Munzu durante uma conferência de imprensa semanal da ONUCI.

« Nós vimos,  no entanto, um edifício que, segundo informações, seria o local onde estariam os corpos de que se fala e cuja cifra oscilaria entre 60 e 80 », explicou Munzu, que deplorou « a  recusa de acesso » ao local.

Segundo ele, a ONUCI deveria poder investigar sobre estas alegações de forma a apurar se elas são reais ou falsas, precisando que a opinião nacional e internacional estaria mais convencida pelas constatações da ONUCI do que pelas refutações repetidas do ministro do Interior de Laurent Gbagbo, através da televisão pública.

Ao avaliar a situação semanal dos direitos humanos, Munzu anunciou uma diminuição drástica das violações dos direitos humanos em Abidjan em relação à semana de 16 a 23 de Dezembro.

« Na semana passada, registámos apenas seis casos de mortes, três desaparecimentos, 20 raptos ou detenções e 11 feridos », indicou Munzu, precisando que estas cifras eram relativas aos casos que a ONUCI conseguiu verificar e confirmar.

Evocando a situação das mulheres e das crianças, ponto particular nos inquéritos, Munzu precisou que até agora a ONUCI não fez nenhuma constatação de exações que possam ser qualificadas de violações baseadas no género.

« Isto reconforta-nos, pois geralmente as mulheres são objeto de exações de todas as formas em tais circunstâncias », indicou o chefe da Divisão dos Direitos Humanos da ONUCI.

Afirmou que  as disposições preventivas tomadas pelo Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) e pela ONUCI previam 41 centros de assistência médica, psicossocial ou jurídica em 19 localidades no país que não foram até agora solicitados para casos específicos perpetrados contra mulheres.

Quanto à situação das crianças, Munzu deplorou um caso dum rapaz de 11 anos de idade, atingido quarta-feira na perna por uma bala perdida no bairro de Attécoubé, e cuja vida está fora de perigo depois de receber os primeiros cuidados no hospital da ONUCI. Ele foi transferido depois para uma clínica melhor equipada.

-0- PANA BAL/SSB/SOC/FK/TON 31Dez2010

31 Dezembro 2010 12:00:03




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