ONU preocupada com gestão de "resíduos tóxicos despejados" na Côte d'Ivoire

Abidjan- Côte d'Ivoire (PANA) -- O relator especial das Nações Unidas, Okechukwu Ibeanu, deplorou sexta-feira em Abidjan "uma falta de coordenação" sobre o caso de resíduos tóxicos, constatou a PANA no local.
"O Governo não teve capacidades nem foi preparado para resolver uma tal crise causada pela despejo de resíduos tóxicos no território ivoiriense a 19 de Agosto de 2006", sublinhou Ibeanuy em conferência de imprensa no termo da visita à Côte d'Ivoire.
Disto, ele deduz que a falta de coordenação está na base da ineficácia da reacção a esta crise.
Ibeanu lançou consequentemente um apelo ao Governo ivoiriense para "incluir no acompanhamento desta crise a sociedade civil e associações de vítimas "cuja voz é essencial e pertinente para informar o Governo sobre as necessidades das populações e a realidade no terreno".
O relator da ONU revelou também que sete das 18 zonas contaminadas pelos resíduos tóxicos, nomeadamente as situadas em Akouédo, Abobo, Koumassi, Maca, Plateau Dokui, estrada de Alépé Vridi, não foram descontaminadas e que continuam a ameaçar a vida e a sáude de dezenas de milhares de habitantes ribeirinhos.
Ibeanu exortou a este respeito a comunidade internacional e o Governo a envolverem-se cada vez mais na assistência sanitária e financeira às vítimas.
Ao Governo, ele lançou igualmente um apelo para harmonizar as listas das vítimas que devem beneficiar de compensações financeiras, referindo-se às difefentes queixas destas últimas.
"Tive a oportunidade de me reunir com várias vítimas que manifestam ainda graves sintomas devidos a uma exposição a resíduos tóxicos.
Encontrei-me com algumas vítimas particularmente vulneráveis.
Elas não têm bastante dinheiro para se nutrir, sem falar das despesas onerosas dos cuidados médicos", deplorou o responsável onusino.
Face a todas estas constatações, o relator especial da ONU desejou que o Governo ivoiriense tomasse com urgência medidas, nomeadamente o relançamento do processo penal pendente.
"Isto terá por efeito enviar uma mensagem alta e forte a outras empresas transnacionais e a outros indivíduos a fim de que eles saibam que tais crimes já não podem continuar impunes e que África não é uma lixeira onde se possa livrar de tudo.
As vítimas devem ser compensadas devidamente", concluiu.

09 Agosto 2008 13:09:00


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