Agência Panafricana de Notícias

África do Sul defende "maior moderação" após ataques americanos e israelitas contra Irão

Cidade do Cabo, África do Sul (PANA) – O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa,  defendeu “a maior moderação”, depois dos ataque norte-americanos e israelitas lançados sábado último contra o Irão, soube a PANA de fonte oficial.

Segundo o seu porta-voz, Vincent Magwenya, o Presidente Ramaphosa expressou a sua "profunda preocupação” face à escalade das tensões no Médio Oriente. 

“Estes desenvolvimentos constituem uma grave ameaça à segurança  regionais e internacionais, com consequências humanitárias, diplomáticas e económicas consideráveis”, acrescentou.

Indicou que o Presidente Ramaphosa apela a todas as partes envolvidas para darem prova de “maior moderação” e agirem em conformidade com o direito internacional, o direito internacional humanitário e os princípios da Carta das Nações Unidas.

Magwenya mencionou o artigo 51.º da Carta das Nações Unidas que só autoriza a legítima defesa quando um Estado sofre uma invasão armada.

“A legítima defesa preventiva não é permitida pelo direito internacional e não pode assentar-se em suposições ou antecipações. A experiência já demonstrou várias vezes que não pode haver solução militar para problemas fundamentalmente políticos que podem e devem ser resolvidos pela via diplomática. A confrontação militar nunca instaurou uma paz duradoura nem permitiu respostas às queixas legítimas que dão azo aos conflitos", defendeu o porta-voz de Ramaphosa.

O estadista sul-africano reiterou o seu apelo à intensificação dos esforços políticos para espoletar as tensões e criar um espaço propício à prossecução das negociações construtivas.

“Exortamos a comunidade internacional, nomeadamente instituições multilaterais e parceiros regionais, a redobrar de esforços com vista a promover um mediação e uma resolução pacífica dos conflitos. Enquanto nação que ultrapassou os conflitos graças ao diálogo e à reconciliação, a África do Sul continua firmemente convicta de que a paz é não só possível mas indispensável ao futuro comum no Médio Oriente e no mundo”, disse o Presidente sul-africano.

Os argumentos de Ramaphosa referem-se aos objetivos destes ataques, apresentados pelo Presidente (americano) Donald Trump como visando “destruir os mísseis iranianos e aniquilar a sua marinha”, depois dos avisos repetidos seus e de Israel de agredirem o Irão caso continuasse seus programas nucleares e balísticos.

Os ataques resultaram no encerramento do espaço aéreo dos países do Médio Oriente, bloqueiando milhares de viajantes.

Airports Company South Africa (ACSA) - Companhia dos Aeroportos da África do Sul - confirmou a manutenção do encerramento do espaço aéreo dos Emirados Árabes Unidos que afeta voos a partir do referido país e do Qatar em vários aeroportos sul-africanos.

O porta-voz do Ministério sul-africano das Relações Internacionais e Cooperação, Chrispin Phiri, confirmou no entanto que estão sãos e salvos todos os diplomatas e cidadãos sul-africanos presentes na região e conhecidos oficialmente.

Segundo o chefe da diplomacia pública no Ministério das Relações Internacionais e Cooperação, Clayson Monyela,  a sua instituição está em contacto com os sul-africanos residentes na região. 

Todavia, o Consulado Geral da África do Sul em Dubaï publicou domingo último um aviso para os sul-africanos residentes nos Emirados Árabes Unidos, exortando-lhes a “darem prova de uma vigilância acrescida” atendendo à evolução da situação na região.

-0- PANA CU/MA/NFB/JSG/DD 02março2026