Agência Panafricana de Notícias

União Africana e ONU preocupam-se com situação na Venezuela

Addis Abeba, Etiópia (PANA) – A União Africana (UA) e o Secretário-Geral (SG) da Organização das Nações Unidas (ONU) exprimiram a sua viva preocupação face à situação no Venezuela, depois da captura do seu Presidente, Nicolás Maduro, sábado último pelos Estados Unidos, soube a PANA de fonte oficial.

Num comunicado publicado sábado último, a UA declarou acompanhar com “viva preocupação” os recentes eventos na Venezuela, nomeadamente o rapto do Presidente da República, Maduro, e os ataques militares contra as instituições venezuelanas.

A UA reafirmou a sua “dedicação indefetível” aos princípios fundamentais do direito internacional, nomeadamente o respeito pela soberania dos Estados, pela sua integridade territorial e pelo direito dos povos à autodeterminação, tal como consagrados pela Carta das Naçõs Unidas.

Sublinhou a importância do diálogo, da resolução pacífica dos diferendos e do respeito pelos quadros constitucionais e institucionais, num espírito de boa vizinhança, de cooperação e coexistência pacífica entre as nações.

“A União Africana sublinhou que os desafios internos complexos com os quais a Venezuela está confrontada só podem ser ultrapassados, de maneira duradoura, pelo diálogo político inclusivo entre os próprios venezuelanos", lê-se no mesmo documento.

A organização continental exprimiu a sua solidaridade com o povo venezuelano e reiterou o seu compromisso a favor da promoção da paz, da estabilidade e do respeito mútuo entre as nações e as regiões.

Apelou a todas as partes em causa para darem prova de moderação, de responsabilidade e de respeito pelo direito internacional a fim de prevenir qualquer escalada e preservarem a paz e a estabilidade regionais.

Por sua vez, o SG da ONU, António Guterres, declarou-se "profundamente alarmado ” pela confrontação entre os Estados Unidos e a Venezuela nos últimos meses, que culminou com a captura, sábado último, do Presidente  Maduro pelas forças especiais americanas.

De facto, o Presidente americano, Donald Trump, deu este anúncio nas redes sociais, ao passo que o procurador-geral dos Estados Unidos deu a conhecer que Maduro e a sua esposa serão traduzidos perante a justiça americana, no território americano e perante os tribunais americanos, em virtude de uma acusação de "narcoterrorismo datada de 2020, durante a primeira administração de Trump, em Nova Iorque.

A operação americana iniciou-se por ataques noturnos em Caracas, a capital venezuelana, e nos arredores.

O Governo do mesmo país decretou o Estado de emergência nacional, cujo balanço das vítimas e a avaliação dos danos estão por confirmar.

O Governo denunciou este “ato de agressão militar extremamente grave pelos Estados Unidos” que se seguiu a meses de tensões crescentes, nomeadamente um importanter desdobramento militar ao largo das costas venezuelanas e  uma série de ataques mortíferos contra navios suspeitos de fazer o tráfico de droga.

Estas semanas, os Estados Unidos ordenaram a apreensão dos navios petroleiros sancionados, ameaçando lançar operações terrestres para obrigar Maduro a deixar o poder.

Durante uma conferência de imprensa sábado último, à noite, na sua residência de Mar-a-Lago, na Flórida, Trump declarou que os Estados Unidos pretendem “gerir” a Venezuela até a uma transição do poder segura, apropriada e judiciosa.”

Como a Venezuela possui as mais importantes reservas de petróleo no mundo, acrescentou Trump, as companhias petrolíferas americanas modernizarão e renovarão as infraestruturas parar gerar ganhos para o país.

Por sua vez, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, apelou à moderação e ao pleno respeito pelo direito internacional.

“A proteção do povo venezuelano é primordial e deve nortear qualquer ação futura”, acrescentou-

A pedido oficial da Venezuela, uma reunião do Conselho de Segurança da ONU devia ocorrer com urgência, esta segunda-feira, em Nova Iorque (Estados Unidos) para abordar esta matéria.

-0- PANA MA/NFB/JSG/DD 05janeiro2025