Situação securitária deteriora-se no leste da RDC, alerta ONU
Nova Iorque, Estados Unidos (PANA) - A situação securitária no leste da República Democrática do Congo (RDC) continua a deteriorar-se apesar da multiplicação de iniciativas diplomáticas para se resolver a situação, soube a PANA de fonte oficial.
O alerta foi dado quarta-feira última, pelo enviado especial das Nações Unidas para a região dos Grandes Lagos, Huang Xia, durante uma reunião do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações unidas (ONU), em Nova Iorque, sobre a crise na RDC.
Sublinhou nessa ocasião a “erosão da confiança” entre os atores da região, que entrava a implementação dos compromissos políticos assumidos.
“Desde o meu relatório em outubro último, quando a região registou a intensificação notável das iniciativas diplomáticas, a situação securitária e humanitária deteriorou-se de maneira alarmante”, deu a conhecer.
Atendendo a estes esforços, advertiu enviado especial, a violência tomou uma nova dimensão, marcada pelo uso crescente de tecnologias militares de ponta, nomeadamente ataques de drones, parasitagem e ursurpação de sinais GPS, atentados a bomba.
Lembrou-se dolorosamente da morte trágica de um funcionário do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), ocorrida a 11 de março em Goma, a capital da província de Kivu-Norte (leste congolês).
"Este Conselho não pode permitir a repetição de um ciclo de violência que examina há demasiado tempo. Urge a implementação na íntegra das resoluções 2773 (2025) e 2808 (2025)", recomendou.
Solicitou o apoio do Conselho para exigir progresso concretos das partes em conflito na Região dos Grandes Lagos.
A seu ver, a prioridade imediata é a observância de um cessar-fogo efetivo, verificável e plenamento respeitado.
A sua credibilidade depende da implementação, na íntegra, do mecanismo de vigilância e do mecanismo de verificação, cujas funções são essenciais para restabelecer uma dinâmica de desescalada.
Por sua vez, a diretora executiva da ONU Mulher, Sima Bahous, disse que a paz na RDC só será garantida quando as mulheres deixaram de ser consideradas como vítimas colaterais, e o seu corpo deixar de ser considerado como troféu de guerra, para serem consideradas como atoras autónomas ao serviço da estabilidade, responsabilidade e paz.
Bahous formulou três pedidos ao Conselho de Segurança, designadamente uma representação equitativa das mulheres nos esforços de consolidação da paz na RDC e em toda região dos Grandes Lagos.
Chamou a atenção sobre os acordos de Washington que não fazem nenhuma menção ao papel das mulheres nem a questões de género muito menos a violências sexuais, que, a seu ver, constituem ao mesmo tempo uma característica emblemática e um fator determinante do conflito.
Defendou a protelão da missão de Manuntenção da Paz das Nações Unidas (MONUSCO) e a preservação do seu mandato essencial na RDC.
Recordou que os militantes e defensores dos direitos humanos beneficiaram da sua proteção, e que os Capacetes Azuís adaptam as suas patrulhas em função dos alertas recebidos das mulheres locais.
Também advogou o apoio às organizações da sociedade civil dirigidas por mulheres e proteger o espaço cívico.
“Poderiamos autonomizar milhares de mulheres artesãs da paz na região dos Grandes Lagos por custos bem inferiores às despesas militares, e obter resultados nitidamente melhores”, propôs.
De facto, os debates no CS da ONU foram marcados por uma troca tumultuosa de palavras entre o Rwanda e a RDC, cada um acusando outro de violar os compromissos assumidos.
A RDC exige a retirada imediato das tropas rwandesas do seu território, enquanto o Rwanda menciona ameaças que representam as Forças Democráticas para a Libertaçâo do Rwanda (FDLR), o grupo armado rwandês que opera no leste congolês.
Segundo UN News, várias delegações presentes ao fórum defendera um cessar-fogo verificável e o cumprimento dos acordos de Qatar (assinado a 15 de novembro de 2025) e de Washington (assinados a 4 de dezembro do mesmo ano).
Também se referiu à retomada das negociações em Washington, aos 17 e 18 de março último, na sequência da tomada temporária, em dezembro de último, da cidade de Uvira, na província de Kivu-Sul (leste congolês), pelo grupo armado M23, apoiado pelo Rwanda.
Também realçou os esforços envidados, ao nível continental, que se intensificaram em torno do medianeiro da União Africana.
-0- PANA MA/NFB/JSG/DD 16abril2026

