Agência Panafricana de Notícias

Presidente brasileiro saúda contribuição de África para seu país

Sal- Cabo Verde (PANA) -- O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, declarou sábado, na ilha do Sal (Cabo Verde), que o seu país nunca poderá reembolsar as suas "dívidas históricas" a África, propondo uma relação entre as duas partes que ultrapasse as trocas comerciais.
Falando por ocasião da Primeira Cimeira CEDEAO-Brasil, ele defendeu a criação de condições para assegurar a transferência da tecnologia brasileira para África.
"Não existe nenhum meio de devolver o que devemos a África.
Somos os seus devedores na nossa maneira de ser, na nossa cultura, na nossa arte", acrescentou o Presidente Lula sob os aplausos dos participantes na cerimónia de abertura desta Cimeira de um dia.
Segundo ele, o seu país não seria o que é hoje sem os esforços de milhões de Africanos, nomeadamente dos escravos, considerando que as relações entre o Brasil e África deveriam ser construídas em bases mais concretas no interesse mútuo das duas partes.
Ele anunciou que o Brasil vai construir uma universidade em Ceara, no nordeste do país, para formar cinco mil estudantes africanos em setores chaves.
O Presidente Lula sublinhou que estes estudantes vão regressar a África no termo da sua formação para participar no desenvolvimento do continente.
Propôs igualmente o estabelecimento dum Centro de Excelência Afro-Brasileiro de Biocombustíveis para assegurar a formação das capacidades e da formação neste setor bem como a instauração dum mecanismo financeiro misto Brasil- CEDEAO para encorajar os investimentos e o comércio.
Fazendo alusão à sua próxima partida do poder, dentro de seis meses, o Presidente brasileiro declarou que tal não irá afetar a continuidade das relações entre África e o Brasil.
"Quem vier depois de mim será obrigado moral, politica e eticamente a manter estas relações com África", disse.
Reafirmando o seu compromisso de reforçar as relações entre o Brasil e África, ele declarou que até ao fim do seu mandato, em Janeiro de 2011, ele terá visitado 25 países do continente.