Agência Panafricana de Notícias

Pluviometria afectada pelas mudanças climáticas no Malawi

Blantyre- Malawi (PANA) -- O Malawi sempre recebeu as suas primeiras chuvas a partir do mês de Outubro, e durante toda a época era antes possível apreciar-se, de maneira contínua, a verdura que embelezava este país africano de 13 milhões de habitantes.
Contudo, viajar dum lugar a outro podia ser difícil, porque a maioria das estradas estavam ficavam inundadas pelas chuvas, o que já não é o caso hoje que as coisas mudaram muito.
Está-se na segunda metade do mês de Dezembro e o Malawi continua à esperar da sua primeira verdadeira chuva.
As sementeiras estão a murchar e os agricultores a perder a esperança.
Mas o que estará na base desta situação? É o resultado das mudanças climáticas observadas por todo o lado no Mundo, considera Hastings Maloya, agente de educação ambiental junto do Mulanje Mountain Conservation Trust (MMCT), um grupo de sensibilização sobre o ambiente.
Em entrevista à PANA, Maloya sublinha que a desflorestação, no Malawi como na maioria dos países da África ao sul do Sara, aumentou de maneira alarmante pelo facto de que quase 80 por cento da população utiliza lenha e carvão de madeira para a cozinha.
A utilização do carvão é algo bom, mas as consequências a longo prazo poderão ser desastrosas, acrescentou Maloya, que é igualmente o presidente do Fórum Ambiental da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Para ele, ainda que as consequências possam parecer insignificantes a nível local, um abate contínuo das árvores e a produção de carvão de madeira, associados às queimadas anuais repetitivas, fazem parte das causas do aquecimento e das mudanças climáticas.
"Além da destruição do nosso ambiente, que se saldou na dessecação dos cursos de água e uma erosão excessiva do solo, estamos ameaçados pelas consequências das mudanças climáticas", disse, acrescentando que "a emissão de carbono e outros gases com efeito estufa na atmosfera, com a destruição da vegetação, põe em perigo o Malawi e a maioria dos países africanos".
Hastings Maloya indica que as questões da pobreza e da falta de vontade política levaram várias pessoas a consagrar-se ao comércio da lenha, destruíndo assim a vegetação.
Não há uma vontade deliberada de reduzir as emissões de gás ao adoptar as novas tecnologias como os fogões económicos para a cozinha que não produzem fumo e que são muito acessíveis.
Segundo ainda Hastings Maloya, o Malawi é dotado duma legislação adequada através da Lei da Exploração Florestal e das suas numerosas políticas ambientais, mas sofre da não aplicação destes textos na medida em que muito poucas árvores estão a ser plantadas contra uma taxa de abate muito elevada.
Além disso, as árvores plantadas carecem de supervisão e acompanhamento.
Neste momento, África continua sob a ameaça das mudanças climáticas e dos seus danos catastróficos com um aumento das temperaturas de dois graus celsius a nível mundial e de três graus no continente africano.
Isto compromete a vida e os meios de subsistência de centenas de milhões de pessoas, entre as quais o povo de Malawi.
Com o fim da Conferência de Copenhaga, há necessidade de se reconsiderar o nível de alfabetização dos povos de África.
As mudanças climáticas, as suas consequências e as medidas de adaptação podem ser conhecidas nos países desenvolvidos, mas os em desenvolvimento necessitam de ser educados e sensibilizados para o efeito, frisou o analista.
"Não podem propor solução às mudanças climáticas se as pessoas a quem apresentam as vossas soluções não compreendem nada do que se lhes dizem", sublinha Maloya.