Agência Panafricana de Notícias

ONU comemora genocídio rwandês de 1994

Nova Iorque, Estados Unidos (PANA) - A Organização das Nações Unidas (ONU) organiza comemorações esta terça-feira fazendo com que o genocídio rwandês não seja esquecido nunca e não se repita nunca mais, noticiou a UN News.

A ONU faz alusão a uma campanha genocida, ocorrido há 30 anos, contra o povo Tutsi (tribo minoritária) no Rwanda, e que fez mais de um milhão de mortos, maioritariamente Tutsi.

Mencionou o caso de alguns sobreviventes desta carnificina, nomeadamente Serge Gasore, cuja infância foi um verdadeiro pesadelo.

Era ainda bem pequenino quando o genocídio de 1994 contra os Tutsi começou no Rwanda e escapou dificilmente à morte váriaas vezes. 

Mas viu a sua mãe assassinada, assim como a sua avó durante um atentado à granada contra uma igreja onde se escondiam os Tutsi.

Passou semanas a fugir os seus carascos Hutu (tribo maioritária), segundo a mesma fonte.

Mas não pôde evitar ser arrastado na guerra. Aos nove anos, ele foi obrigado a ingressar no Exército da Frente Patriótica Rwandês (FPR), que defendia os Tutsi.

Quando adulto, Gasore abandonou finalmente o Rwanda para se instalar nos Estados Unidos, onde ele e a sua mulher fundarão Rwanda Children, uma organização benévoloa consagrada a dar abrigo, alimentos, cuidados médicos e educação a crianças em situação de vulnerabilidade no país.

Ele conta, esta terça-feira, a sua história durante uma cerimónia na sede da ONU, em Nove Iorque, por ocasião do Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio de 1994 contra os Tutsi no Rwanda.

Também se falou de um outro sobrevivente, Marcel Mutsindashyaka, que perdeu 25 membros da sua família

Como Gasore, milhares de pessoas reconstroem a sua vida, mais de três décadas depois dos eventos horríveis de 1994, durante os quais mais de um milhão de pessoas, maioritariamente Tutsi, incluindo Hutu moderados e outros opositores ao genocídio, foram sistematicamente massacradas em menos de três meses.

Segunda-feira, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, prestou homenagem  às vítimas, nomeadamente "famílias inteiras brutalmente aniquilidas" e honrou “a sua dignidade ultrajada”.

Na sua mensagem, Guterres homenageou os sobreviventes como Gasore, “cuja resiliência testemunha a força de espírito humano”.

Recordou que a comunidade internacional não levou à sério avisos e não tomou medidas imediatas para salvar vidas.

“Deveriamos tirado lições dos fiascos passados e proteger os vivos, rejeitando o ódio, discursos incendiários e a incitação à violência”, considerou.

Estas comemorações de 7 de abril, assim como outras organizadas nos escritórios das Nações Unidas no mundo, são coordenadas pelo Programa de Sensibilization sobre o Genocídio de 1994 contra os Tutsi no Rwanda e nas Nações  Unidas, criada pela Assembleia Geral em 2005 para “mobilizar a sociedade civil a favor da memória das vítimas do genocídio no Rwanda e da educação a fim de contribuir para prevenir futuros atos de genocídio”.

-0- PANA MA/BAI/JSG/DD 7abril2026