ONU alerta para mortes e violências sexuais contra civis no Sudão
Cartum, Sudão (PANA) - Civis continuam a ser mortos, deslocados e vítimas de violências sexuais generalizadas, na sequência da guerra iniciada em abril de 2022, advertiu a Organização das Nações Unidas (ONU).
Em videoconferência de imprensa, a partir de Cartum, a coordenadora humanitária da ONU no Sudão, Denise Brown, apelou a uma ação urgente para pôr fim aos combates e proteger os civis.
“Vivemos numa situação que se repete no Sudão”, declarou Brown, rogando que não se qualifique esta crise de “crise esquecida”.
Ela disse qualificá-la de “crise abandonada”, citando relatórios do Alto Comissariado dasNações Unidas para os Direitos Humanos e dos parceiros humanitários sobre violações generalizadas e violações coletivas, em particular em Darfur (oeste sudanês), segundo UN News.
Organizações humanitárias em Darfur assistiram cerca de 2.500 vítimas de violências sexuais durante o ano transato, menciounou.
Acrescentou que o impacto vai para além das vítimas direitas, afetando famílias, comunidades e crianças nascidas de atos sexuais violentos.
Evocou igualmente os massacres perpetrados nas imediações de El Fasher, a capital de Darfur, onde, segundo informações verificadas, 6.000 pessoasterão sido mortas em apenas três dias.
A seu ver, estes dados podem ser inferiores na realidade.
Brown exortou a comunidade internacional a fazer muito mais para prevenir as atrocidades anrtes que elas aconteçam.
“Que deve mais acontecer para que todo muno acorde e preste atenção a fim de encontrar uma solução”, interrogou-se.
Aconselhou aos Estados membros a concentrarem-se nas forças que fomentam a guerra, nomeadamente o fluxo de armas e a economia de guerra no sentido largo.
Evocando questões relativas ao embargo sobre as armas em Darfur, a coordenador humanitária da ONU no Sudão interrogou-se se medidas eficazes estão a ser tomadas para o fazerem respeitar.
Deu a conhecer que atores humanitários se vêem obrigados a desempenhar o papel de reconciliar pessoas.
Na sua ótica, os trabalhadores humanitários não constituem uma solução para o conflito.
Brown indicou que as agências das Nações Unidas, as Organizações Não Governamentais internacionais continuam presentes no terreno em todo país, e mobilizadas para ajudar as populações a sobreviverem.
Mas advertiu que a ação humanitária não pode substituir a ação política a fim de pôr fim à guerra.
Entre a zonas mais preocupantes figuram Dilling, no Estado de Kordofan-Sul (centro), acrescentou.
As caravanas de ajuda atingiram finalmente a cidade após anos de dificuldades, informou a coordenadora, que lá esteve em março último, tendo o local sido atacado de seguida.
Lamentou que, hoje, as caravanas já não possam entrar lá e que os civis tenham que fugir fugir por causa de bombardeamentos diários.
“Não vias de saída segura”, indignou-se Brown alertando ao mesmo tempo para o aumento das deslocações das populações no Estado do Nilo Azul, onde perto de 30.000 pessoas terão sodp deslocadas pelos recentes combates.
Todavia, regozijou-se com o facto de as comunidades locais se esforçarem para lutar contra discursos de ódio e apoiar os esforços de paz ao nível local.
Informou igualmente que o financiamento humanitário estão aquém das necessidades.
"Queremos mesmo que se concentre massivamente na busca de uma solução e que, enquanto isto, se aloque uma verba necessária, à altura das necessidades essenciais da população sudanesa", concluiu a coordenadora humanitária da ONU no Sudão.
-0- PANA MA/NFB/JSG/DD 14abril2026

