Agência Panafricana de Notícias

HRW acusa ex-rebeldes de graves violações de direitos humanos na RCA

Lagos, Nigéria (PANA) - Membros da coligação de ex-rebeldes Séléka, que destituiu o Presidente da República Centro Africana (RCA), François Bozizé, a 24 de março último, cometaram graves violações dos direitos humanos contra civis, nomeadamente pilhagens, execuções sumárias, violações e atos de tórturas, segundo a Human Rights Watch.

Num comunicado recebido sexta-feira pela PANA, a organização internacional de defesa dos direitos humanos afirma que quando a Séléka controlou Bangui, a capital, os ex-rebeldes realizaram pilhagens, assassinatos de civis, violações de mulheres e procederam a ajustes de contas com os membros das Forças Armadas Centro Africanas (FACA).

Segundo a Human Rights Watch, um grande número destas mortes foi cometido nas zonas urbanas e em pleno dia.

"Se a coligação Séléka deseja remediar os abusos cometidos pelo precedente Governo, como pretende, ela deverá imediatamente pôr fim às exações atrozes cometidas pelos seus próprios membros", declarou o diretor da divisão de África da Human Rights Watch, Daniel Bekele.

"O novo Governo deverá demostrar a sua dedicação ao Estado de direito, abrindo inquéritos sobre os ataques perpetrados contra civis pelas tropas da Séléka e processar os seus autores diante da justiça", considerou Daniel Bekele.

A Séléka significa "aliança" em sango, a principal língua da RCA. Ela designa uma coligação de várias forças rebeldes que se aliaram com o objetivo de lutar contra as violações dos direitos humanos e a pobreza no nordeste do país.

A Human Rights Watch revelou antes, num relatório, que nesta região em 2007 as forças armadas fiéis ao Presidente François Bozizé efetuaram execuções sumárias, mortes, brutalidades, incêndios de habitações, extorsões de fundos e recolhas ilegais de impostos, bem como o recrutamento de crianças que eram depois utilizadas como soldados e para numerosas outras violações dos direitos humanos.

Durante uma missão de pesquisa de dez dias levada a cabo em Bangui em finais de abril de 2013, a Human Rights Watch interrogou cerca de 70 pessoas, incluindo testemunhas, vítimas, defensores locais dos direitos humanos, jornalistas, representantes do antigo Governo e do que lhe sucedeu, bem como outras fontes.

A Human Rights Watch determinou que várias mortes foram cometidas pelas forças da Séléka em Bangui depois do golpe de Estado de 24 de março e recolheu informações dignas de fé sobre outros assassinatos perpetrados pelas tropas da Séléka no país entre dezembro de 2012 e abril de 2013.

-0- PANA SEG/NFB/JSG/MAR/TON 10maio2013