Porto Sudão, Sudão (PANA) - O Governo sudanês rejeitou categoricamente, esta quart-feira, a conferência internacional de Berlim (Alemanha) sobre o Sudão, iniciada neste dia, naquela cidade capital da Alemanha, soube a PANA de fonte oficial.
Num comunicado, o Governo sudanês afirmou que os organizadores do evento esqueceram deliberadamente de o convidar.
O Ministério sudanês das Relações Exteriores, autor do comunicado, expressou a “profunda estupefação” do Sudão e a sua condenação da dita conferência.
O Sudão disse-se surpreso que esta iniciativa, sob a capa de preocupações humanitárias , tenha sido tomada sem consulta nem mesmo convite dirigidos ao seu Governo.
Os organizadores ignoraram os pontos de vista apresentados pelo Estado sudanês e pelas suas instituições oficiais, lamentou
A seu ver, esta atitude reflete a abordagem de tutela colonial feita por alguns países ocidentais, tentando assim impor as suas agendas e visões a nações e povos livres.
O comunicado frisou que o facto de colocar em pé de igualdade o Governo e o seu Exército nacional, e uma milícia terrorista multinacional (as Forças de Apoio Rápido), que alveja as instituições do Estado e a sua existência mesmo, cometendo o genocídio e e piores violações dos direitos humanos, mina as bases da segurança regional e internacional.
Na sua ótica, este fórum encoraja as Forças de Apoio Rápido (RSF) e movimentos terroristas similares em África e no Médio Oriente a intensificarem as suas atividades criminais, e dá às potências estrangeiras um pretexto para desprezarem a soberania dos Estados em causa e os seus respetivos governos, em nome da neutralidade.
A conferência de Berlim, à semelhança de outras anteriores e estéreis, constituem "um despreço flagrante dos princípios do Direito Internacional, da Carta das Nações Unidas e do princípio de soberania dos Estados, fundamento da ordem internacional contemporâneo, indicou a nota.
De facto, a Conferência de Berlim, que se realiza esta quarta-feira, quando entra no seu terceiro ano a guerra iniciada no Sudão em abril de 2023, entre as Forças Armadas Sudanesas e os seus antigos aliados, as RSF (paramilitares), inscreve-se no quadro das numerosas iniciativas com o fito de reforçar o acesso humanitário e fazer avançar o processo político entre os beligerantes.
Agências das Nações Unidas reafirmaram terça-feira última que o oSudão continua a ser palco da mais grave crise humanitária e de deslocações da populações no mundo.
Defenderam o fim desta guerra que já fez dezenas de milares de mortos.
Como o declarou, terça-feira última, Ross Smith, diretor da Preparação e Resposta às Situações de Emergência no Programa Alimentar Mundial (PAM), há dois anos que certas regiões sudanesas estão confrontadas com a fome, o que, frisou, “não é simplesmente inaceitável na nossa época.”
"Milhões de sudaneses estão na armadilha de uma luta diária pela segurança alimentar e pela sua dignidade fundamental. As famílias esgotaram todos os seus meios de adaptação. Pais perdem refeições para que os seus filhos, famintos, possam comer, indignou-se.
“Os massacres generalizados, as deslocações massivas da população, sobretudo, o recurso à violência sexual fazem parte dum esquema da guerra no Sudão”, alertou, por sua vez, Anna Mutavati, diretora regional para África Oriental e Austral da ONU Mulheres.
-0- PANA MO/MA/NFB/JSG/DD 15abril2026