Agência Panafricana de Notícias

Exército egípcio destroi esperanças da revolução, diz Amnistia Internacional

Lagos, Nigéria (PANA) - A Amnistia Internacional (AI) acusou o Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), no poder no Egito, de ter destruído as esperanças suscitadas pela revolução de 25 de janeiro ao utilizar os tribunais militares para julgar milhares de civis, ao repimir as manifestações pacíficas e ao manter a Lei de Emergência do regime Mubarak.

Para a organização de defesa dos direitos humanos, os dirigentes militares fracassaram totalmente no cumprimento das suas promessas feitas aos Egípcios de melhorar a situação dos direitos humanos e cometeram, pelo contrário, uma série de abusos, fazendo às vezes pior do que Hosni Mubarak.

No seu relatório intitulado "Promessas não cumpridas: dirigentes militares egípcios enfraquecem os direitos humanos", a Amnistia Internacional revisita as violações dos direitos humanos pelo CSFA, que tomou o poder após a destituição do Presidente Hosni Mubarak em fevereiro passado.

A publicação deste relatório coincide com os últimos dias de confrontos sangrentes no Egito que fizeram pelo menos 24 mortos e mais de mil 700 feridos, quando as Forças Armadas e de segurança tentaram com violência dispersar os manifestantes na Praça Tahrir do Cairo.

"Os que se opuseram ou criticaram o Conselho Militar, como os manifestantes, os jornalistas, os blogueiros, os trabalhadores em greve, foram reprimidos sem piedade para os reduzir ao silêncio", acusou o diretor interino da AI para o Médio Oriente e África do Norte, Philip Luther.

"O balanço em matéria dos direitos humanos do CSFA mostra que, após nove meses no poder no Egito, as esperanças e as aspirações da revolução de 25 de janeiro foram aniquiladas. A reação brutal e inapropriada às manifestações dos últimos dias apresentam todas as caraterísticas da era Mubarak", indicou Luther.

A AI anunciou ter constatado que o Conselho Militar "não cumpriu com a maioria dos seus compromissos assumidos no âmbito das suas inúmeras declarações públicas e agravou até a situação em algumas áreas".

A organização indicou que, em agosto passado, o CSFA reconheceu que 12 mil civis em todo o país foram julgados por tribunais militares na sequência de processos largamente não equitativos.

Pelo menos 13 pessoas foram condenadas à morte por estes tribunais por acusações de
vandalismo, incumprimento do recolher obrigatório, destruição de bens e ultraje ao Exército, entre outras.

Segundo a AI, numa tentativa clara de suprimir a imprensa crítica para com o CSFA, vários jornalistas foram convocados diante do procurador militar.

As pressões do Exército desembocaram na anulação de vários inquéritos.

"O Exército egípcio não pode continuar a servir-se da segurança como desculpa para manter em vigor as antigas práticas do regime do Presidente Mubarak", sublinhou Luther.

No seu entender, para uma transição efetiva para o novo Egito que os manifestantes reclamam, o CSFA deve retirar a sua influência sobre a liberdade de expressão, de associação e de reunião, levantar o estado de emergência e parar de julgar os civis em tribunais militares.

-0- PANA SEG/FJG/JSG/CJB/IZ 22nov2011