Agência Panafricana de Notícias

Cabo Verde considera “boa medida” suspensão do serviço da dívida

Praia, Cabo Verde (PANA) – O Governo de Cabo Verde considerou como “uma boa medida” a decisão dos países credores de isentar Cabo Verde de pagamentos da dívida até 31 de dezembro próximo.

Segundo o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, o povo de Cabo Verde "agradece este gesto que vai dar ao Executivo maior folga para a batalha na mitigação desta crise que o país e o Mundo atravessam”.

Olavo Correia recordou todavia que o Governo está a trabalhar com os seus parceiros internacionais para converter a divida do país em investimentos.

“Ainda temos um grande trabalho a ser feito por forma a que possamos atingir os resultados que o país almeja em relação ao longo prazo que é a conversão da dívida pública externa atual de Cabo Verde em investimentos estratégicos para o futuro”, afirmou.

A decisão de isentar Cabo Verde foi anunciada quarta-feira passada pelo grupo de países credores responsável pela organização da Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI).

Em Junho passado, Olavo Correia estimou que a dívida pública do país chegue aos 150 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) até 2021, devido à crise económica e sanitária provocada pela pandemia da covid-19, mas afastou medidas de austeridade.

De acordo com as Contas Provisórias do Estado do primeiro trimestre de 2020, o peso do stock da dívida pública de Cabo Verde cresceu para 131,5 por cento do PIB, até março.

Em 31 de março de 2020, a dívida pública de Cabo Verde era constituída por 177.342 milhões de escudos cabo-verdianos (quase 1.600 milhões de euros) de endividamento externo, um crescimento de 9,1 por cento face ao período homólogo de 2019.

Acresce-se a isso 67.027 milhões de escudos (604,3 milhões de euros) de endividamento captado internamente, nomeadamente com emissão de títulos do tesouro, que cresceu, também em termos homólogos, 1,6 por cento.

-0- PANA CS/IZ 24ago2020