Agência Panafricana de Notícias

Cabo Verde aposta em energias sustentáveis para gestão de água

Praia, Cabo Verde (PANA) - Cabo Verde está a elaborar um projeto de acesso à energia sustentável para a gestão dos recursos hídricos, visando não só bombagem mas também na dessalinização, apurou a PANA sábado na cidade da Praia, de fonte segura.

Denominado “Nexo Energia- Água”, o empreendimento elaborado pelos ministérios da Economia e Emprego e da Agricultura e Ambiente, tem um orçamento de oito milhões de dólares, dos quais 70 porcento desembolsados pelo Cabo Verde e o restante disponibilizado pelo Fundo Global do Ambiente (GEF, sigla em inglês).

Juntamente com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI), o GEF também presta assistência ao Governo cabo-verdiano na implementação deste projeto.

Conforme o coordenador das operações da ONUDI, Rui Levy, esta tarefa, a ser executada em três anos, irá contribuir também, a nível ambiental, para a diminuição da emissão dos gases com efeito de estufa no país, bem como a redução do custo da água.

Rui Levy recordou que a água distribuída através das energias fósseis tem um custo elevado para a sua utlização na agricultura, escolas e saúde.

“Por isso, este projeto aposta nas renováveis para a bombagem da água, o que vai permitir mais acesso a água e a consequente diminuição dos custos”, precisou.

A título de exemplo, ele apontou que já existe um modelo de sucesso nessa catalisação do uso de energia em sistema de bombagem de água na ilha de Santo Antão que, na sua ótica, permitiu uma redução significativa do custo de água.

A prática permitiu ainda aos agricultores desenvolverem produtos a preços mais competitivos.

Por sua vez, o diretor Nacional de Energia, Indústria e Comércio, Rito Évora, explicou que, até janeiro de 2018, se vai ter uma ideia mais clara das atividades que vão ser executadas neste contexto.

Além do reforço institucional, da criação de uma plataforma de cooperação entre os setores de energia e água, esta iniciativa vai ter, igualmente, uma vertente de demostração com instalação de projetos-piloto.

Rito Évora informou ainda que este projeto vai trabalhar tanto a questão ligada à regulamentação, como ao incentivo do surgimento de empresas de serviços energéticos que, para além de instalação fotovoltaicas, terão também a missão de cuidar da sustentabilidade do projeto a longo prazo.

Na opinião de especialistas, ao ser implementado, o projeto vai ser uma mais-valia para Cabo Verde, um país vulnerável às mudanças climáticas, e onde chove pouco e os recursos do subsolo (água) tendem a reduzir.

Em Cabo Verde, também se regista um aumento da população, do consumo e dos investimentos.

Por isso, anotam que a água será um recurso cada vez mais escasso, pelo que, a seu ver, a solução será apostar ainda mais na dessalinização.

"Um dos objetivos é reduzir os custos de investimentos, que é um dos grandes constrangimentos na implementação de projetos de energias renováveis", sublinham,
Estes especialistas.

Consideram igualmente que, se o país conseguir associar projetos de mobilização de energias renováveis aos de recursos hídricos, as pessoas irão obter água a um preço mais acessível.

-0- PANA CS/DD 24set2017