Agência Panafricana de Notícias

Ativista nigeriano denuncia má gestão de petróleo na Nigéria

Addis Abeba, Etiópia (PANA) - Um ativista nigeriano, Lai Yahaya, apresentou segunda-feira em Addis Abeba, na Etiópia um violento requisitório contra a gestão dos rendimentos petrolíferos no seu país.

Falando durante um diálogo organizado em prelúdio ao VIII Fórum Africano de Desenvolvimento (ADF), Yahya afirmou que a produção de dois milhões e 500 mil barris por dia de petróleo apenas serve os interesses duma "élite política corrupta".

O também chefe de equipa da Facilidade para a Transparência do Setor Petrolífero (FOSTER) estimou os danos causados pela fraude petrolífera na Nigéria em cerca de seis biliões de barris por ano.

A seu ver, um sistema corrupto e pouco eficaz de gestão dos rendimentos petrolíferos foi instalado há vários tempos no país.

Os contratos passados com multinacionais do setor não apresentam nenhuma garantia de transparência", indignou-se o ativista nigeriano diante de dezenas de pessoas reunidas para este encontro intitulado "otimizar o diálogo Estado-Empresa para uma melhor gestão dos recursos naturais em África".

"São receitas equivalentes a seis biliões de barris que a Nigéria perde anualmente. Não é aceitável num país onde mais de 50 porcento das pessoas vivem abaixo do limiar de pobreza", acrescentou.

Para Yahaya, a fraude e a corrupção no setor petrolífero nigeriano devem-se à fraca capacidade de refinagem no país e às avarias repetitivas dos equipamentos que carecem cruelmente da manutenção.

"O sistema é tal que o país exporta principalmente o seu petróleo bruto. O mesmo petróleo volta refinada para ser vendido a um preço forte aos Nigerianos. A complexidade desta montagem permite a todos os intermediários ficarem ricos", denunciou o ativista nigeriano.

Ele sublinhou além disso a forte mobilização dos Nigerianos que obrigara em janeiro passado o Governo do Presidente Goodluck Jonathan a ponderar a sua decisão de suprimir a subvenção do petróleo vendido nas bombas.

Greves gerais e marchas pacíficas obrigaram com efeito o Governo nigeriano a adiar esta medida que pretensamente visava permitir ao país poupar cerca de oito biliões de dólares americanos.

Apesar duma produção de cerca de dois milhões e 500 mil barris por dia, que faz da Nigéroa o primeiro produtor africano do petróleo, este país não consegue garantir o acesso à água potável, à educação e à saúde à metade da sua população estimada em cerca de 120 milhões de pessoas.

-0- PANA SEI/JSG/MAR/DD 23out2012