Agência Panafricana de Notícias

Angola substitui embaixador na RDC

Luanda, Angola (PANA) - O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, nomeou esta quinta-feira o diplomata José João Manuel, seu novo embaixador na República Democrática do Congo (RDC), em substituição de Emílio José de Carvalho Guerra, exonerado no mesmo dia.

Segundo uma nota da Presidência da República citada pela agência angolana de notícias (Angop), Emílio José de Carvalho Guerra foi, por sua vez, transferido para a Sérvia com as mesmas funções no lugar de José João Manuel

Na mesma ocasião, o chefe de Estado angolano nomeou igualmente Augusto da Silva Cunha novo embaixador no Gana.

A substituição do embaixador de Angola em Kinshasa ocorre numa altura em que o país reforçou a sua presença policial e militar na fronteira com a RDC por receio de entrada de bandos armados em território angolano devido à crescente tensão no país vizinho.

Segundo as autoridades angolanas, vários milhares de refugiados congoleses estão atualmente instalados na província angolana da Lunda-Norte, fronteiriça com a RDC, na sequência de conflitos político-tribais em curso nas províncias congolesas de Cassai e Cassai Central.

Com mais de 700 quilómetros de fronteira comum com a RDC, a província da Lunda-Norte, no nordeste de Angola, acolhe os refugiados congoleses desde abril passado, incluindo mais de quatro mil crianças exaustas, desnutridas e afetadas por diarreias, malária e outras patologias.

Dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) dão conta de que o conflito provocou, para além dos refugiados em Angola e dos mais de um milhão de deslocados internos, cerca de 400 mortos "muitos deles enterrados nas cerca de 40 valas comuns descobertas na região do Cassai".

O conflito opõe tropas governamentais às milícias armadas tribais "Kamuina Nsapu", do chefe tradicional Jean Pierre Mpandi, morto em agosto de 2016 pelas tropas congolesas.

Estas milícias, que contestam a manutenção no poder do Presidente Joseph Kabila, têm sido acusadas de recrutar centenas de crianças soldados.

O ACNUR diz que necessita de cinco milhões e 500 mil dólares americanos para assistir os refugiados que todos os dias chegam a Angola, país onde a alocação de recursos para os refugiados poderá ser afetada por outras questões internas, como as próximas eleições gerais.

-0- PANA IZ 08junho2017