Agência Panafricana de Notícias

Angola defende fim de sanções contra Zimbabwe

Luanda- Angola (PANA) -- O ministro das Relações Exteriores de Angola, Assunção dos Anjos, advogou quarta-feira em Addis Abeba, capital da Etiópia, o fim das sanções contra o Zimbabwe após a formação do Governo de Unidade Nacional, noticiou quinta-feira a Agência Angolana de Notícias (ANGOP).
Assunção dos Anjos falava depois de chegar a Addis Abeba, onde participa da reunião do Conselho Executivo da União Africana, preparatória da Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da organização prevista para 1 a 3 de Fevereiro.
Na Cimeira, a comitiva angolana será encabeçada pelo presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, em representaçao do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos.
O chefe da diplomacia angolana disse que o levantamento das sanções ao Zimbabwe visaria permitir ao Governo de unidade, a ser formado, desenvolver esforços para retirar, o mais breve possível, o país da grave situação de crise social, humanitária e financeira em que está mergulhado.
“Face à situação de degradação progressiva da economia e da sociedade zimbabwena, é imperioso que um Governo, que reflicta os resultados eleitorais, entre em funções e resolva os problemas”, sublinhou.
“Quando tomar posse um Governo de coligação, que vai criar condições para a normalização da situação no Zimbawe e que reflecte a vontade popular expressa livremente em eleições, penso que deviam ser retiradas as sanções”, defendeu.
Assunção dos Anjos informou que a ZANU-PF, do Presidente Robert Mugabe, e o Movimento para a Mudança Democrática (MDC), do opositor Morgan Tsvangirai, concordaram em formar o Governo de unidade até 13 de Fevereiro próximo, no âmbito dum acordo subscrito a 15 de Setembro de 2008.
O Governo terá 31 cargos governamentais, sendo 15 para a ZANU-FP (no poder), 13 para o MDC de Tsvangirai e três para a facção do MDC de Arthur Mutambala.
Relativamente à tão cobiçada pasta do Interior, disse ter-se chegado a uma solução “um pouco inusitada”, mas necessária, que consistiu em atribuir ao Ministério uma liderança bicéfala, ou seja, com dois ministros.
“Trata-se de uma situação transitória, até se encontrar uma solução definitiva, dada à premência da formação de um Governo que possa atacar os problemas que o país está a atravessar”, explicou.
O ministro angolano das Relações Exteriores considerou o tema da cimeira - "Desenvolvimento das Infraestruturas em África – como uma questão que reflecte a preocupação da União Africana com o desenvolvimento do continente, particularmente conferindo acento sobre o estado dos transportes, da energia e do investimentos do sector privado.
A crise financeira mundial e as suas incidências nas economias africanas, bem como as estratégias a delinear para minorar os seus efeitos perversos, vão igualmente dominar a atenção dos Chefes de Estado e de Governo.
A Cimeira da UA vai debruçar-se também sobre a recorrente questão do Governo da união e passar em revista a situação dos conflitos em África, com destaque para o da RD Congo, a situação no Zimbabwe e em Darfur, no oeste do Sudão.