Agência Panafricana de Notícias

Angola considera Atlântico Sul espaço estratégico e de oportunidades

Luanda, Angola (PANA) - Angola considera o Atlântico Sul um espaço estratégico de oportunidades e de riscos, que exigem vigilância, coordenação e ação conjunta, com os Estados a assumirem-se como protagonistas, soube a PANA de fonte oficial.

A posição angolana foi expressa quinta-feira última em Rio de Janeiro (Brasil) pelo seu ministro das Relações Exteriores, Téte António, quando intervinha na IX Reunião Ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS).

O governante sublinhou que aquele espaço marítimo adquiriu centralidade acrescida, num cenário internacional marcado pela intensificação da competição geopolítica, pela reconfiguração das cadeias logísticas globais e pela pressão sobre os recursos naturais.

No plano político, referiu o diplomata, a Declaração do Rio de Janeiro deve constituir um sinal claro de compromisso com a preservação do Atlântico Sul como zona de paz, livre de tensões geoestratégicas externas e orientada para a cooperação solidária entre os seus Estados-membros.

De acordo com o chefe da diplomacia angolana, a Estratégia de Cooperação do Rio de Janeiro deve traduzir, igualmente, um compromisso político renovado, assente em ações concretas, coordenação efetiva e vontade política, com vista à obtenção de resultados tangíveis e ao reforço da credibilidade da ZOPACAS.

Indicou que os desafios globais atuais se tornaram mais complexos e interligados, com destaque para o agravamento das ameaças à segurança marítima, incluindo o tráfico ilícito, a pesca ilegal e outras formas de criminalidade organizada, que fragilizam os Estados e comprometem o desenvolvimento sustentável.

A isto juntou também o impacto das alterações climáticas sobre os ecossistemas marinhos e costeiros, com consequências diretas para as populações que dependem do oceano para a sua subsistência.

Téte António defendeu a transição de uma plataforma de natureza predominantemente declarativa para um instrumento com capacidade de coordenação estratégica, com vista a uma atuação mais eficaz.

Neste quadro, Angola considera essencial o reforço institucional da organização.

No domínio jurídico e estratégico, o ministro destacou a Convenção para a Protecção e Desenvolvimento dos Recursos Marinhos do Atlântico Sul, que no seu entender deve ser entendida como um instrumento político de grande alcance, e que afirma a soberania dos Estados sobre os seus recursos e a responsabilidade coletiva na sua preservação.

O governante defendeu a necessidade de se consolidar o Atlântico Sul como uma verdadeira comunidade estratégica, através do reforço da cooperação Sul-Sul, da partilha de capacidades, do investimento em ciência e tecnologia marinha e da promoção de uma governação oceânica inclusiva e sustentável.

Segundo Téte António, o futuro da ZOPACAS depende da capacidade dos seus Estados-membros para se adaptarem e se afirmarem num contexto internacional em transformação, defendendo uma ação ativa na preservação do Atlântico Sul como zona de paz, desenvolvimento e cooperação.

Para Angola, reiterou, a ZOPACAS permanece uma plataforma estratégica essencial.

Reafirmou o compromisso do país com os seus princípios fundadores e a sua disponibilidade para contribuir ativamente para o seu fortalecimento.

O momento atual exige liderança lítica, visão estratégica e sentido de urgência, segundo o diplomata angolano que manifestou o desejo de que a reunião no Rio de Janeiro marque o início de uma nova etapa na afirmação da ZOPACAS, caracterizada por maior ambição, coordenação e capacidade de ação.

Durante a sua intervenção, o ministro angolano das Relações Exteriores felicitou o Brasil pela assumpção da presidência da instituição e dirigiu palavras de reconhecimento a Cabo Verde pela liderança cessante. 

Referiu que o empenho cabo-verdiano contribuiu para preservar a relevância política da organização num contexto internacional cada vez mais exigente.

Frisou que a reunião ocorre num momento em que o Atlântico Sul assume crescente importância geopolítica, e que o oceano deixou de ser apenas um espaço geográfico, passando a constituir um vetor estratégico de segurança, desenvolvimento e afirmação dos Estados no sistema internacional.

A iniciativa, que reuniu 24 países africanos e sul-americanos das duas margens do Atlântico Sul, celebra os seus 40 anos de criação pela Resolução 41/11 da Assembleia Geral das Nações Unidas, adotada em 1986.

Estabelecida a 27 de outubro de 1986, a ZOPACAS) surgiu através da Resolução 41/11 da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de promover a cooperação regional e assegurar a paz e a segurança entre os 24 países da América do Sul e da costa ocidental de África que integram esta iniciativa.

-0- PANA  JA/DD  10abril2026