Agência Panafricana de Notícias

30 países africanos sofrem de crises energéticas

Tripoli- Líbia (PANA) -- Pelo menos 30 países da África Subsariana sofrem das crises energéticas ocorridas nestes últimos anos, indicam estatísticas de 2008 do Fundo Monetário Internacional (FMI) citadas pela revista electrónica das Nações Unidas "Afrique Renouveau".
Segundo estas estatísticas, 550 milhões de Africanos, ou seja 75 por cento da população do continente, não têm acesso à electricidade.
Numa análise sobre o sector energético em África intitulada "A Electricidade, uma Necessidade Vital para África", a revista "Afrique Renouveau" relata as explicações dadas por um responsável do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) que atribui as causas das penúrias de electricidade em África à má manutenção das redes existentes bem como aos Governos que investem poucos recursos nas empresas de electricidade.
Por outro lado, o mesmo responsável acusa os Governos de exigir, ao mesmo tempo, que as empresas de electricidade forneçam a energia eléctrica a preços muito baixos "o que lhes faz registar perdas e torna difícil a manutenção das infraestruturas".
A revista sublinha ainda a necessidade do aumento da produção eléctrica, uma das prioridades da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD) e do plano de desenvolvimento do continente para acompanhar o crescimento económico de África.
Lembra que a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) estimou em 344 biliões de dólares americanos as necessidades de África para aumentar a sua capacidade de produção eléctrica, modernizar os equipamentos instalados e alargar as redes de transporte e de distribuição a um maior número de famílias e de empresas.
Para a "Afrique Renouveau", eixistem falhas na política adoptada pelos Governos africanos neste domínio, visto que, apesar das tarifas baixas, menos de três por cento da população rural e 32 por cento dos citadinos estavam ligados à sua rede nacional na África Oriental em 2004, ao passo que, segundo o Banco Mundial (BM), apenas a Côte d'Ivoire e o Zimbabwe beneficiavam duma cobertura superior a 70 por cento.
Esta situação deveu-se, segundo a revista onusina, à diminuição das tarifas cujas despesas são elevadas para a ligação visto que estas despesas podem, nas cidades onde existe uma rede, ultrapassar os 200 dólares americanos e, lá onde eles não existem, exceder os mil e 500 dólares americanos.
Por conseguinte, as populações pobres das regiões rurais não são ligadas à rede, refere a "Afrique Renouveau", citando o BAD que defende a utilização pelos Governos africanos duma grelha de tarifas repartidas e subvenções inteligentes com vista a permitir aos pobres dispostos a pagar o acesso à electricidade, visto que eles já pagam para obter velas, querosene, lenha e outras fontes de energia.
A revista cita, por exemplo, o Quénia que experimenta esta iniciativa com os incentivos concedidos aos sectores pobres da comunidade que consomem menos ao beneficiar de tarifas mais baixas do que os sectores com rendimentos médios que consomem mais, e os industriais e as grandes empresas que vêem as suas tarifas aumentar progressivamente em função do seu consumo.
O Quénia abriu também a produção de electricidade aos operadores privados que se rivalizam para vender a electricidade à companhia de transporte controlada pelo Estado o que faz aumentar a produção de electricidade e pôs termo às avarias prolongadas que eram frequentes no país nos finais dos anos 90.
A política da África do Sul, apesar do seu custo exorbitante estimado em 78 milhões de dólares americanos por ano, foi saudada, como um modelo, pela revista onusina que indica que o Governo deste país oferece gratuitamente aos habitantes pobres de algumas zonas um abastecimento de base em electricidade.
Aos que não estavam ligados à rede, mas que utilizam fontes de energias alternativas como a energia solar, recebem, na África do Sul, cerca de seis dólares por mês para os ajudar a pagar os custos de manutenção e do funcionamento destes sistemas, indica.
A revista sublinha a urgência para os países africanos de reformar as empresas de electricidade, tendo em conta o aumento da taxa de crescimento económico no continente independentemente da maneira como eles decidirão financiá-las a fim de que "o acesso à electricidade e o seu abastecimento não se tornem em problemas tão sérios".