Imprensa congolesa reage ao problema de insegurança em Kinshasa

Kinshasa- RD Congo (PANA) -- O assassinato domingo último do vice-presidente da Assembleia Provincial de Kinshasa, Daniel Boteti, levantou a problemática da segurança na capital congolesa, inspirando os editorialistas dos jornais congoleses desta semana.
"É preocupante ! Basta uma pessoa visada pelos meliantes ser uma alta personalidade para que toda galaxia político-militar do país se mobilize numa torrente de lágrimas de crocodilo", sublinha o Le Potentiel (jornal próximo da oposição).
O jornal constata que "não é pela primeira vez que tais incidentes suscitam a indignação disfarçada ou real.
Também não será pela última vez que estas comissões de inquérito serão constituídas para elucidar os mistérios do assassinato (de Boteti)".
O Le Potentiel, que cita algumas vítimas destes bandos, atacadas no mesmo local, chegou a esta conclusão: "Na verdade, todos os Kinois (habitantes de Kinshasa) são potenciais candidatos às balas dos mesmos carrescos.
Portanto, a luta contra estes bandos não tem em conta as emoções dos governantes, embora, como o dizia Senghor, 'a emoção seja negra e a razão seja helena".
O diário La Tempête des Tropiques, igualmente próximo da oposição, constatou que "as medidas da desmilitarização do Palácio de Mármore intervêm tarde".
"Medidas de segurança deveriam ter sido tomadas, desde há muito tempo, nesta parte de Kinshasa, na sequência de todos os casos deploráveis registados no local antes do irreparável de domingo último", segundo o La Tempête des Tropiques.
O diário estima que o poder executivo deve preocupar-se com a segurança da população e dos seus bens quer em Kinshasa quer noutras partes do país.
"Não se deve assegurar só as imediações do Palácio de Mármore (Presidência da República) mas todo país deve ser seguro.
Este desafio pode ser ultrapassado se houver uma vontade política capaz de realizar várias proezas", escreveu o La Tempête des Tropiques.
Por sua vez, o L'Avenir, diário de Kinshasa próximo do governo, escreveu que "o esquema da politização fracassou.
Mas uma coisa é verdade: uma certa casta política tem dificuldade em compreender que o Congo entrou numa nova era onde o assassinato político deu lugar ao debate democrático".
Na sua opinião, não há uma oposição republicana sem poder republicano e isto tudo não fez da RDC um paraíso terrestre.
"O crime contra a pessoa de Daniel Boteti demostra que ainda falta muito por fazer embora tenhamos percorrido um longo caminho.
Os congoleses estão fartos da insegurança.
Não se fará nada de sólido nem de durável sem a segurança", sublinhou o L'Avenir.

11 Julho 2008 20:00:00




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