Igrejas lusófonas decidem na Praia participar no combate à Sida

Praia- Cabo Verde (PANA) -- Os chefes das Igrejas Católicas dos países membros da Comunidade do países de língua portuguesa (CPLP) decidiram, a semana passada na Praia, envolver-se no combate contra a epidemia HIV/Sida, apurou-se de fonte oficial na capital cabo-verdiana.
Reunidos na Praia por ocasião do IV encontro das Conferências Episcopais dos países lusófonos, os representantes das igrejas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe sublinharam a necessidade de se "fazer um esclarecimento global mais completo às pessoas" e denunciar determinadas propostas que atentam a sua dignidade.
O bispo de Cabo Verde, D.
Paulino Évora, recordou o empenho da Igreja católica cabo-verdiana neste combate, designadamente por ocasião do Dia Mundial da Luta contra a Sida em 2002, em que a Paróquia Nossa senhora da Graça, a Caritas e um grupo de pessoas publicaram um desdobrável sobre a questão.
"A Igreja tem a obrigação de informar da forma mais completa", sustentou o chefe da Igreja católica cabo-verdiana.
Por sua vez, o cardeal patriarca de Lisboa, D.
José Policarpo, sublinhou os "erros que se têm cometido na luta contra a Sida".
"Acentuou-se 90 por cento esforços em campanhas dizendo as pessoas: fazem o que quiserem mas protegem-se", disse, precisando que a questão da Sida tem que ser resolvida com uma "dimensão cultural e ética".
O comunicado final do IV encontro das conferências episcopais da Praia reafirma também a vontade das Igrejas católicas da CPLP de contribuir para a recuperação dos toxicodependentes e a necessidade de um relacionamento com o Estado.
"Os delegados reafirmam o seu desejo de cooperar com os poderes legalmente constituídos, nas diversas áreas ao seu alcance mas sem nunca se confundirem ou identificarem com partidos políticos ou limitarem a sua liberdade de acção", lê-se no documento.
De igual modo, os representantes das igrejas dos países lusófonos (Timor-Leste foi o único ausente) decidiram prosseguir as campanhas de solidariedade entre conferências episcopais, fomentar a acção dos leigos missionários e apoiar a geminação de paróquias.
O intercâmbio de sacerdotes e bispos assim como o ensino e a formação constam igualmente das decisões tomadas na reunião da Praia.
A Guiné-Bissau foi o país escolhido para acolher em Janeiro 2004 o V encontro das conferências episcopais dos países lusófonos.
"Toda a Igreja da Guiné-Bissau vai receber o encontro como um balão de oxigénio.
O encontro dá um outro dinamismo à igreja local e ao país", disse o bispo de Bissau, D.
José Camnate, numa alusão à situação vivida na Guiné-Bissau.
De acordo com aquele religioso, o encontro no seu país é muito importante e constituirá uma boa oportunidade para se conhecer melhor a igreja local e a Guiné-Bissau.
"Vai ser sobretudo uma grande oportunidade para conhecer a grande família católica lusófona", sustentou.

21 Janeiro 2003 11:59:00


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