Igreja católica afasta-se da reforma de educação na Ilha

Port-Louis- Ilhas Maurícias (PANA) -- A Igreja católica das Ilhas Maurícias afastou-se das reformas da educação nacional na ilha, soube a PANA terça-feira, junto do bispado de Port-Louis.
Os seus representantes estimam que o Estado maurício não conseguiu encontrar uma solução que pudesse conciliar ao mesmo tempo a especifidade religiosa das escolas católicas e as disposições da constituição do país.
"O Estado não foi capaz de encontrar uma solução tal como foi determinado pelo veredicto do Tribunal supremo a 13 de Novembro último.
É pois difícil para nós permanecermos na reforma", declarou o vigário-geral, Jean Maurice Labour.
Segundo o veredicto do Tribunal supremo, o critério de admissão em uso nos colégios confessionais favorece os alunos católicos "e o que é , anticonstitucional, pois estas escolas são financiadas pelo Estado".
Num comunicado publicado na imprensa, os dirigentes da Igreja católica declararam que os colégios católios aceitaram e querem sempre juntar-se às reformas da educação "porque estamos de acordo com o seus princípios de base".
"Estes princípios visam pôr fim a competição feroz na educação, levar a educação católica para os pobres, descentralizando os colégios católicos nas zonas desfavorecidas, abrir a educação católica às crianças reprovadas duas vezes nas provas do primário e/ou os cuja idade é muito avançada para retomar o exame.
"O ministro da educação pediu,com insistência, aos colégios católicos para aderirem a reforma.
Aliás, ele disse à Assembleia nacional que esta reforma não se pode levar a cabo sem a participação dos colégios católicos", lê-se no comunicado.
Segundo a Igreja, o veredicto do Tribunal supremo teve como consequência tornar ilegal a admissão de alunos católicos, na base do critério religioso, nos colégios católicos que recebem fundos do governo.
"Esta interdicção periga a sobrevivênia dos colégios católicos porque a sua identidade baseia-se em três factores: a liberdade de propor um projecto educativo baseado na fé em Jesus Cristo e nos valores do evangelho, liberdade de recrutar, entre outros, professores que partilham desta fé e crêm nestes valores", sublinha o documento.
Por sua vez, o ministro maurício da Educação, Steven Obeegadoo, disse entender a posição da Igreja católica e não ver nisto um afastamento total e permanente das reformas da educação".
"É muito cedo demais para reflectir sobre toda implicação mas estou convencido que as consultas entre o Estado e as autoridades católicas, que retomam a 23 de Dezembro sob a presidência do Primeiro ministro, Anerood Jugnauth, serão concludentes", disse.
Em Port-Louis, recorde-se, a Igreja decidiu recorrer ao conselho privado da Rainha, na Grã Bretanha, quanto a legalidade da prática das admissões nos colégios católicos.

10 Dezembro 2002 16:11:00


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