Militares angolanos assinam cessar-fogo definitivo para Cabinda

 

Luanda, Angola (PANA) - Um acordo de cessar-fogo definitivo para o enclave petrolífero de Cabinda, no noroeste de Angola, foi assinado terça-feira, na localidade Massabi, na fronteira com o Congo, pelas chefias militares das Forças Armadas Angolanas (FAA) e do Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD).

O acordo, que vigora desde as 00:00 horas locais de quarta-feira (23:00 TMG) foi assinado pelo chefe adjunto do Estado-Maior-General das FAA, general Geraldo Sachipengo Nunda, e pelo general Maurício Zulo, da ala militar do FCD, que agrupa facções independentistas.

O documento é o resultado das negociações que culminaram na adopção sábado passado em Brazzaville (Congo) de um Memorando de Entendimento que consagra um estatuto especial para o enclave de Cabinda.

Estas conversações foram conduzidas pelo ministro angolano da Administração do Território, Virgílio de Fontes Pereira, e pelo presidente do Fórum Cabindês para o Diálogo, António Bento Bembe.

Com a assinatura do cessar-fogo fica cimentado o processo de construção da paz definitiva para Cabinda, devendo o terceiro e último passo ser dado posteriormente, na cidade do Namibe, no sul de Angola, com a assinatura formal do Memorando de Entendimento.

O Memorando define cinco princípios, nomeadamente a Lei da Amnistia, o cessar das hostilidades, a desmilitarização das forças separatistas, a adequação do dispositivo militar das Forças Armadas Angolanas estacionadas em Cabinda e a reintegração condigna dos combatentes do FCD na vida nacional.

Em Brazzaville, as duas partes decidiram criar uma Comissão Militar Conjunta encarregue de implementar os compromissos assumidos no quadro do Memorando de Entendimento que será submetido à aprovação do Parlamento angolano.

"O estatuto especial para Cabinda que acabamos de aprovar não é um fim em si mesmo. Constitui uma abertura para o bem-estar da população cabinda, para a estabilização de todo o território", declarou na ocasião o chefe da delegação do governo angolano, Fontes Pereira.

Pereira disse esperar que a solução do caso Cabinda venha a servir de exemplo para a resolução dos conflitos que assolam actualmente o continente africano.

Por seu turno, o chefe da delegação do FCD, general António Bento Bembe, regozijou-se igualmente com os resultados das negociações realizadas na capital congolesa sob a égide da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC).

"Estamos satisfeitos com os resultados obtidos ao longo das nossas negociações de paz. o FCD, por seu lado, compromete-se a trabalhar pela sua aplicação na esperança de que a contraparte também assim proceda", sublinhou o general Bembe.

Com uma superfície de 700 quilómetros quadrados, Cabinda é um antigo protectorado português que passou a ser parte integrante do território de Angola desde a independência desta em 1975.

Desde então, Cabinda é palco de uma luta armada independentista liderada pela Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC) para quem o território continuava a ser um protectorado português nos termos do Tratado de Simulambuco assinado a 1 de Fevereiro de 1885 entre Portugal e os príncipes e governadores locais.

Encravado entre o Congo e a RD Congo, este enclave, também cobiçado pela Bélgica, por França e pela Inglaterra durante a colonização, fornece 60 por cento da produção petroleira de Angola actualmente estimada em um milhão e 200 mil barris por dia.

 
Luanda - 19/07/2006
 
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