ONGs guineenses exigem fim de conflito na fronteira com Senegal

 

Bissau, Guiné-Bissau (PANA) - As organizações bissau-guineenses da sociedade civil exortaram domingo o governo e o Parlamento a "assumir as suas responsabilidades" mandando cessar as hostilidades desencadeadas pelas Forças Armadas do seu país contra rebeldes senegaleses na localidade de São Domingos, situada no norte da Guiné- Bissau na fronteira com o Senegal.

O Exército bissau-guineense está a realizar há quase uma semana uma ofensiva para destruir as bases do chefe da ala militar do Movimento das Forças Democráticas de Casamança (MFDC), Salif Sadio, que se recusa a participar no processo de paz em curso na província do sul do Senegal.

Num comunicado de imprensa a que a PANA teve acesso, a Plataforma de Concertação das ONGs da Guiné-Bissau (PLACON-GB) indica que várias pessoas tiveram de fugir das zonas mais afectadas pelos combates, enquanto outras são obrigadas pelos rebeldes a permanecer em suas casas para lhes servir de "escudos humanos", em caso de ataques dos militares bissau-guineenses.

As ONGs afirmam dispor de informações sobre alegadas detenções de pessoas "por delito de opinião" quando questionam os verdadeiros motivos da Guiné-Bissau na guerra contra uma das alas do MFDC, grupo rebelde que luta há mais de 20 anos pela independência de Casamança.

A PlACON-GB instou as autoridades a adoptar a via do diálogo para a resolução de qualquer desentendimento que possa existir no âmbito desta crise, exortando as organizações da sociedade civil a exprimir a sua indignação pela "afronta aos direitos de cidadania dos nacionais da Guiné-Bissau".

 
Bissau - 27/03/2006
 
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