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| Frente Polisário adia sine die libertação de presos marroquinos
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Argel, Argélia (PANA - A libertação anunciada de c
erca de 400 presos
marroquinos detidos pela Frente Polisário protelada sine die não
acontecerá enquanto "os nossos militantes e manifestantes da nossa
Intifada (luta)" pela independência continuarem a ser torturados e
apodrecer nas gaiolas do rei (marroquino).
Estas declarações foram feitas quarta-feira em Argel pelo embaixador
da República Árabe Sarauí Democrática (RASD), Mohammed Beïssat, num
briefing alusivo ao anúncio sábado último pelo Presidente da RASD,
Mohamed Abdelaziz, da libertação em breve de todos os marroquinos
capturados pela Frente Polisário, convidando porém o Reino de
Marrocos a fazer a mesma coisa.
"Rabat brinca com o fogo e ameaça a paz na região. Madrid que é
responsável pela actual situação no Sara Ocidental deve assumir
plenamente as suas responsabilidades históricas e deixar de se
esconder atrás das Nações Unidas que também devem desempenhar
plenamente o seu papel e sair do silêncio", declarou o diplomata
sarauí.
O Reino Marroquino, que "reprime de maneira selvagem desde 21 de Maio
último os sarauís que se manifestam para reivindicar pacificamente a
nossa independência, passou para uma fase superior da sua barbárie",
denunciou o embaixador da RASD.
Sublinhou que "a contra-manisfestação" organizada terça-feira em Al
Ayoun (capital do Sara Ocidental) "visa desviar a atenção da opinião
pública internacional da repressão contra os sarauís e da campanha de
detenção dos nossos militantes dos Direitos Humanos".
"Centenas de adeptos da sua majestade, cinco mil segundo a Agência de
Notícias Marroquina (MAP), filiados em serviços de segurança
marroquinos ou no Exército e enquadrados por delegados políticos
vindos de Rabat, foram mobilizados para desfilar nas ruas dos bairros
chiques da capital sarauí, vestidos, para a circunstância, dos nossos
trajes tradicionais", afirmou Beïssat.
O responsável sarauí denunciou vigorosamente este "passo para frente
marroquino" na pressão psicológica contra o seu povo, acto que, a seu
ver, "vai ter graves consequências".
Desafiou Rabat - protagonista desta "mascarrada" de El Ajoun que
qualifica os partidários da Frente Polisário em territórios ocupados
de "grupelhos" e de "minoria insignificante" - para aceitar a
realização dum referendo de autodeterminação como o recomendam o
Conselho de Segurança e a comunidade internacional.
"Mohamed VI, que multiplica detenções, torturas, intimidações,
julgamentos injustos e o cerco das nossas cidades deve saber que não
tem 36 escolhas no Sara Ocidental e não poderá brincar eternamente
com o fogo sem se queimar. Ele deve aceitar sem tardar a realização
do referendo de autodeterminação ou organizar um genocídio do nosso
povo como aquele organizado pelos indonésios no Timor-Leste",
acrescentou Beïssat.
O diplomata sarauí convidou finalmente as Nações Unidas a sair do seu
mutismo "injusticável" para não ser condenadas pela história como no
caso do Ruanda.
Prometeu intentar mais dia menos dia uma acção judicial contra os
responsáveis do Exército e da Polícia marroquinos perante as
jurisdições internacionais por "crimes contra a humanidade".
Marrocos ocupa o Sara Ocidental, ex-colónia espanhola, desde 1975
pouco tempo depois do seu abandono pela Espanha.
Apoiada pela Argélia, a Frente Polisário, movimento sarauí de
libertação, luta conta Marrocos para reivindicar a sua soberania
nacional.
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| Argel - 21/07/2005 |
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