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| Ministra da Justiça da Guiné-Bissau ameaçada de morte
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Bissau, Guiné-Bissau (PANA) -
A ministra da Justiça da Guiné-Bissau,
Carmelita Pires, afirmou ter recebido quinta-feira de madrugada uma
chamada telefónica anónima dum desconhecido que a ameaçou de morte.
Carmelita Pires, que falava durante uma conferência de imprensa em
Bissau, indicou que o autor do telefonema disse-lhe: "Estás a falar
muito, presta atenção. Basta."
Acrescentou que o seu telefone tocou novamente por volta das 2 horas
e 20 minutos da manhã (horal local) e uma voz anónima masculina
diferente da primeira disse-lhe: "Pensas que estamos a brincar? Põe a
tua mão no fogo e verás. Não sabes que está a escavar o teu próprio
túmulo. Este é o primeiro aviso. Um homem prevenido vale por dois".
"Não vou recuar, mas tenho medo como qualquer pessoa", disse
Carmelita Pires que apelou "aos poderes públicos do país a assumir as
suas responsabilidades".
"Todos os que tentam lutar contra o narcotráfico na Guiné-Bissau são
vulneráveis porque não são protegidos por nenhum dispositivo de
segurança", lamentou.
"Estamos abandonados ao nosso próprio destino", deplorou a ministra
bissau-guinense, que exortou a comunidade internacional "a tomar uma
posição" e as Nações Unidas "a continuar a ajudar a Guiné-Bissau a
lutar contra o narcotráfico".
Carmelita Pires revelou igualmente que a Polícia Judiciária recebeu,
a 24 de Julho, mandato para capturar três supostos narcotraficantes
bissau-guinenses, mas ele não foi executado.
Declarou que as autoridades nacionais tentaram em vão, a 25 de
Julho, opôr-se à chegada à Guiné-Bissau de cães acompanhados por dois
agentes da Interpol proveniente de Lyon (França).
A ministra da Justiça da Guiné-Bissau adiantou que a Polícia
Judiciária teve de restituir, a 27 de Julho, provas "extremamente
importantes" para a conclusão dum inquérito sobre dois aviões
venezuealanos apreendidos recentemente no país com grandes
quantidades de droga.
A directora da Polícia Judiciária, corpo da Polícia encarregue da
luta contra o narcotráfico na Guiné-Bissau, Lucinda Eucarie, demitiu-
se a 13 de Abril último, na sequência do rapto no seu órgão dum dos
seus agentes, Liberato Neves, por cerca de 15 elementos da Polícia de
Intervenção Rápida que o torturam e mataram com vários tiros.
Afirmando que ela e o seu pessoal careciam de segurança, a directora
da Polícia Judiciária, que depois reconsiderou a sua decisão,
declarou que havia ausência de Estado na Guiné-Bissau.
Nos últimos anos, a Guiné-Bissau tornou-se a placa giratória do
tráfico de droga na África Ocidental.
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| Bissau - 01/08/2008 |
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