Estados Unidos instalam sistema de radar em São Tomé e Príncipe

 

São Tomé, São Tomé e Príncipe (PANA) - A Marinha dos Estados Unidos vai iniciar em Janeiro de 2007 a instalação de um sofisticado sistema de radares de vigilância no espaço marítimo são-tomense, cujo projecto está orçado em 18 milhões de dólares americanos, soube-se segunda-feira de fonte diplomática americana em São Tomé.

O sistema de radares de vigilância terá um alcance que abrangerá a África Central, com especial incidência sobre o Golfo da Guiné, visando a localização, identificação e obtenção de informações dos navios que circulam no espaço marítimo exclusivo do arquipélago.

O projecto que vai durar três anos a ser implementado enquadra-se no programa do Centro Regional de Vigilância Marítima (Regional Maritime Awareness Center) no Golfo da Guiné.

Segundo John Mittlemen, conselheiro científico do Comando Naval das Forças Norte-americanas baseado na Europa e chefe duma equipa de cinco peritos da Marinha dos Estados Unidos à São Tomé, os radares visam a "protecção e segurança marítima da região e do Golfo da Guiné".

Mittlemen adiantou que os radares possibilitarão aos Estados Unidos "reagirem" em caso de identificação de um navio suspeito, o que leva observadores a crer que eles pretendem instalar uma base naval no arquipélago, embora até ao momento o Governo americano desminta esta última intenção que tem circulado bastante na imprensa americana.

Os radares vão permitir identificar navios que operam ilegalmente na zona, principalmente pesqueiros e petroleiros que muitas vezes acabam por lavar os tanques poluindo as águas territoriais.

Pelo facto de a capacidade de reacção do país para capturar tais navios ser praticamente nula, os especialistas americanos anunciaram que o seu Comando Naval baseado em Nápoles (Itália) está a preparar um projecto de assistência para dotar os países do Golfo da Guiné de meios de reacção rápida para dar complemento às informações que são recolhidas pelo sistema de radares.

Mittlemen garantiu que "haverá formação desde o início do programa e à medida que ele se desenvolve vamos formar o pessoal", adiantando que "conselheiros americanos virão periodicamente a São Tomé e são-tomenses também serão enviados para formação nos Estados Unidos".

A região do Golfo da Guiné é uma zona rica em petróleo e estudos dizem que nos próximos anos vai assegurar cerca de 25 por cento das necessidades petrolíferas dos Estados Unidos, por isso a administração norte-americana começa a criar as condições básicas de segurança para que o tráfego marítimo e a exploração da riqueza seja o mais tranquilo possível.

Os actuais factores de instabilidade e insegurança que se multiplicam no Golfo Pérsico, e especialmente o caos iraquiano, obriga os Estados Unidos a orientar-se para o Golfo da Guiné, uma zona considerada mais estável.

O Congresso norte-americano considerou recentemente o Golfo da Guiné como uma região de "interesse vital" para os Estados Unidos, uma afirmação que está directamente associada ao petróleo, dado que a América é o primeiro consumidor e importador de petróleo do Mundo.

Washington tem intensificado nos últimos anos a cooperação militar com os seus principais fornecedores de petróleo, nomeadamente a Nigéria, Angola e a Guiné Equatorial.

Do ponto de vista estratégico-militar, São Tomé e Príncipe tem, sem duvida, atributos geográficos ímpares que lhe permitem tornar-se num verdadeiro porta-aviões fixo em pleno Golfo da Guiné, observando países de regimes políticos frágeis e delicados, mas onde estão presentes várias plataformas petrolíferas norte-americanas, especialmente da ChevronTexaco e da Exxon Mobil.

 
São Tomé - 11/12/2006
 
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