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| Cabo-verdianos acreditam cada vez mais na consolidação da democracia
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Praia, Cabo Verde (PANA) -
O número de Cabo-verdianos para quem a
democracia "é completa" no seu país quintuplicou nos últimos seis
anos, após o primeiro inquérito sobre a Qualidade da Democracia
cabo-verdiana realizado em 2002, apurou a PANA quinta-feira.
De acordo com dados divulgados pela Afrosondgem, empresa de pesquisa
ligada ao grupo Afrobarómetros, o terceiro estudo sobre a Qualidade
da Democracia cabo-verdiana conclui que a democracia em Cabo Verde,
implantada em 1991, "está a caminho da consolidação".
Contudo, o trabalho que foi feito nas ilhas do Maio, São Vicente,
Santo Antão, Fogo e Santiago, e cujos resultados foram apresentados
quinta-feira, na Praia, pelo director-geral da Afrosondagem, José
Semedo, revela uma fraca participação dos Cabo-verdianos na
actividade política.
A maior parte das pessoas não faz parte de qualquer tipo de
associação, e 32 por cento dos inquiridos afirma que nunca
participaria numa manifestação, mesmo que tivesse oportunidade de
o fazer, revelou o estudo.
Apesar de serem pouco participativos na actividade política, os
Cabo-verdianos preferem a democracia a outra forma de governo.
Segundo o inquérito, 70 por cento dos Cabo-verdianos preferem um
governo democrático, e somente 18 por cento considera que Cabo Verde
é uma democracia com problemas.
O terceiro estudo sobre a Qualidade da Democracia em Cabo Verde (o
primeiro efectuado em 2002 e o segundo em 2005) mostrou que Cabo
Verde está a caminhar "a passos largos para o processo de
consolidação democrática".
Segundo o director-geral da Afrosondagem, "há uma maior maturidade
por parte dos cidadãos".
No que se refere ao desempenho do Estado de Direito, cerca de 64 por
cento dos inquiridos concorda que os deputados à Assembleia Nacional
(Parlamento) devem fazer leis, mesmo que o Presidente da República
não as aprove, e 53 por cento é de opinião que o chefe de Estado
deve sempre obedecer aos tribunais, enquanto 62 por cento defende que
as Finanças devem obrigar as pessoas a pagar impostos.
Já no que diz respeito à confiança no primeiro-ministro e no
Presidente da República, a amostra revela que 51 por cento dos Cabo-
verdianos afirma que este último tem tido uma actuação positiva e 55
por cento diz o mesmo do primeiro.
A Assembleia Nacional e o Governo merecem a confiança de 45 por cento
dos Cabo-verdianos, enquanto os municípios obtêm nota positiva nas
áreas de construção de estradas e limpeza.
Tal como revelaram os dois estudos anteriores, os Cabo-verdianos
consideram que os principais problemas do país continuam a ser o
desemprego, a pobreza e a criminalidade.
No capítulo económico, os dados indicam que a evolução da situação
económica do país é considerada positiva pelos Cabo-verdianos.
No entanto, os inquiridos avaliam de forma crítica a actuação do
Executivo nos sectores da inflação, do desemprego e das desigualdades
sociais.
“Há alguns aspectos em que o Governo é avaliado bastante
positivamente, nomeadamente, saúde, educação e combate ao HIV/Sida,
mas há outros em que o Governo é avaliado negativamente. É o caso do
combate à inflação, o desemprego e na questão da redução das
desigualdades sociais”, disse José Semedo.
Os tribunais perderam 16 pontos percentuais da sua credibilidade
desde 2005 (de 66 para 50 por cento) e a Polícia perdeu 14 (60 para
46).
Os inquiridos (85 por cento) acreditam, por outro lado, que a
parceria com a União Europeia irá contribuir para o desenvolvimento
do país.
Foram entrevistadas mil e 300 pessoas com idade igual ou superior a
18 anos. A sondagem aconteceu de 20 a 30 de Maio de 2008 e tem uma
margem de erro de 2,9 por cento.
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| Praia - 09/10/2008 |
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