Zimbabwe escapa ao crivo da União Africana

Harare- Zimbabwe (PANA) -- O Zimbabwe anunciou terça-feira ter escapado a um exame do seu balanço em matéria de direitos humanos durante a III Cimeira da União Africana (UA) graças à rejeição de um projecto de relatório "elaborado de maneira irregular" por uma comissão da organização continental.
A Comissão Africana dos Direitos Humanos, um órgão da UA, tinha elaborado um relatório crítico sobre a situação dos direitos humanos no Zimbabwe, onde alegava violações generalizadas dos direitos humanos neste país e que pretendia submeter à cimeira que decorre actualmente na capital etíope.
Os grupos da oposição e associações internacionais de defesa dos direitos humanos acusam constantemente as autoridades de Harare de abafar a democracia e os direitos humanos por razões políticas, acusações refutadas sistematicamentre pelo governo zimbabweano.
Neste relatório, elaborado após uma visita a Harare, a Comissão dos Direitos Humanos tinha corroborado as alegações feitas constantemente pelos partidos da oposição zimbabweanos e pelas associações internacionais de defesa dos direitos humanos.
Entretanto o Conselho Executivo da UA rejeitou estas alegações e acusou a Comissão de não ter concedido ao governo zimbabweano nenhuma oportunidade de se defender antes que o relatório fosse elaborado.
"O Conselho de ministros ressaltou que a Comissão não tinha solicitado a reação do Estado membro em causa.
Sublinhou que no futuro, a Comissão deverá apresentar os seus relatórios com a resposta dos Estados membros em causa", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Zimbabwe, Stan Mudenge.
"O Conselho recomendou também aos chefes de Estado que não publicassem este relatório até que a Comissão obtivesse a resposta do Zimbabwe.
Não foi elaborado correctamente", indicou.
O Conselho de ministros da UA rejeitou ainda acusações similares feitas pela Comissão dos Direitos Humanos contra a RD Congo, Guiné-Equatorial e Nigéria pelas mesmas razões.

06 Julho 2004 23:22:00




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