Harare- Zimbabwe (PANA) -- Com a retirada do líder da oposição no Zimbabwe, Morgan Tsvangirai, da segunda volta das eleições presidenciais prevista para sexta-feira, o Presidente Robert Mugabe vai prestar juramento para novo mandato de cinco anos, mas os analistas pensam que o Governo de Harare corre o risco de estar mais isolado do que antes.
Tsvangirai retirou-se da corrida presidencial, alegando a violência e a intimidação de que os seus militantes e simpatizantes são vítimas.
O seu partido, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC), declarou que mais de 80 militantes seus foram mortos durante a campanha para a segunda volta e dezenas de outros ficaram feridos ou foram deslocados.
Nestas circunstâncias, disse, "decidimos não participar numa paródia de processo eleitoral manchado de violência".
A retirada constitui um alívio para Mugabe, que perdeu a primeira volta face ao seu rival da oposição, Morgan Tsvangirai, em Março passado.
Mas, os analistas pensam que Mugabe, que beneficiava até agora de apoio em África, sobretudo da África Austral, estará isolado desta vez depois de conservar o poder de maneira controversa.
Alguns países, entre os quais os seus mais próximos amigos e vizinhos, condenaram sem ambiguidade a maneira como o Governo organizou a campanha eleitoral.
Na África Austral, que era até agora o bastião da solidariedade e do apoio do Zimbabwe, alguns países interrogam-se abertamente sobre a legitimidade do Presidente Mugabe.
O Botswana convocou na semana passada o embaixador do Zimbabwe no seu país para protestar contra a intimidação da oposição pelo Governo de Harare, enquanto Angola exortou as autoridades zimbabweanas a demonstrar tolerância face aos opositores.
A Tanzânia, que preside actualmente à União Africana (UA), foi mais franca interrogando-se sobre a fiabilidade e a credibilidade do escrutínio da próxima sexta-feira, tendo em conta a violência e a intimidação.
Antes, o Presidente zambiano, Levy Mwanawasa, convocou uma reunião de emergência da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para discutir o impasse eleitoral no Zimbabwe.
"Ele (Mugabe) vai conservar o poder, mas perderá amigos e certamente o apoio de alguns dos seus amigos na região e em África em geral num momento em que o Zimbabwe necessita mais destes últimos", declarou um diplomata da SADC sob anonimato.
"Como sabem, o Zimbabwe já não tem amigos no mundo, excepto os seus vizinhos.
Perdê-los será catastrófico para ele e o Governo em particular", acrescentou, fazendo alusão à querela diplomática de longa data entre o Zimbabwe e o Ocidente a respeito das reformas agrárias e dos direitos humanos.
O diplomata sublinhou que nenhum líder regional deverá participar na investidura do Presidente, uma longa tradição na SADC quando um Presidente assume função ou é reeleito.
Os países ocidentais ameaçaram impor sanções mais severas contra o Zimbabwe e levar os países vizinhos a fazer o mesmo ao enviar mensagens a Mugabe.
Até agora os vizinhos do Zimbabwe resistiram às pressões ocidentais que visam isolar o regime de Mugabe, pensando que se tratava dum plano de mudança de regime dos antigos colonos britânicos contra o regime de Harare.
Agora será difícil resistir à pressão, declarou um professor universitário sob anonimato.
"Os vizinhos do Zimbabwe estão chocados com o que aconteceu", acrescentou.
Mugabe e os seus próximos já estão submetidos à restrições de viagem pela Europa e pelos Estados Unidos, bem como a sanções financeiras pessoais.
Por outro lado, o Zimbabwe está na lista negra do Banco Mundial (BM) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), entre outros organimos financeiros bilaterais e multilatarais controlados por Ocidentais.