Wade insta intelectuais africanos a forjar destino comum

Bahia- Brasil (PANA) -- O Presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, instou quarta-feira em Salvador, no Estado da Bahia (nordeste do Brasil), os intelectuais de África e da Diáspora a afirmar a sua história, existência e identidade cultural sem complexo e a forjar um destino comum através da conjugação de valores, recursos e pela exploração judiciosa de complementaridades.
“Hoje como ontém, o combate de África e da sua Diáspora continua a ser o mesmo, o de afirmar a nossa história, existência e identidade cultural sem complexo e a forjar o nosso destino comum pela conjugação dos nossos valores, dos nossos recursos e pela exploração judiciosa das nossas complementaridades”, ressaltou.
Wade, que falava na cerimónia de abertura da II Conferência dos Intelectuais de África e da Diáspora (II CIAD), sublinhou que os intelectuais do continente e os residentes no estrangeiro devem ter um papel de anteguarda na promoção dos seus valores e ideais comuns.
O líder senegalês propôs a criação duma “Aliança Panafricanista” que agruparia clubes panafricanistas em África e na Diáspora, adiantando que esta ideia foi viabilizada na cimeira da União Africana (UA) realizada em Banjul (Gâmbia) de 1 a 2 de Julho de 2006.
Precisou que a aliança teria o papel de alimentar a reflexão dos seus membros sobre as vias e os meios de defender os seus interesses, facilitar os contactos bilaterais e multilaterais, bem como organizar encontros e visitas.
Wade sugeriu também a criação dum “Conselho de Concertação” entre os países do Sul ribeirinhos do Atlântico, que compreenderia o Brasil, a América Central, Latina, das Caraíbas e África visando reflectir sobre os meios duma cooperação económica.
Destacou que na Bahia, para onde foram enviados vários escravos durante o comércio triangular entre África, Europa e as Américas, os africanos “reencontram a descendência dos seus ancestrais tirados da pátria-mãe no sofrimento e na tragédia duma escravidão plurissecular”.
Recordou o símbolo histórico da Bahia fazendo alusão à Revolta dos Malês, escravos muçulmanos que se rebelaram para reivindicar pelo respeito do seu direito à liberdade de culto em 1835, e à resistência dos negros que criaram no Brasil a República dos Palmares antes de tombar face à superioridade numérica e técnica dos colonizadores.
Lembrou também a história duma escrava senegalesa que desembarcou em Boston (Estados Unidos) em 1761, entre milhares de escravos provenientes do Senegal, e aos 19 anos publicou em Londres (Grã- Bretanha) um livro que se tornou na primeira recolha de poemas elaborada por um escritor afro-americano.
“A sua história (da escrava) e de tantos outros caídos no anonimato e no esquecimento nos ensinam que o génio criador do ser humano apenas tem os limites que lhe são impostos”, julgou o Presidente senegalês.
Por seu turno, o chefe de Estado brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu na sessão de abertura que os intelectuais e a sociedade civil de África e da Diáspora devem superar uma herança histórica de pobreza, discriminação racial e exclusão social numa sociedade internacional com défice de democracia e solidariedade.
Lula da Silva, que escolheu a aproximação a África como uma das prioridades do seu mandato, sublinhou que a Bahia é um símbolo vivo das múltiplas dimensões e contribuições africanas para o Brasil.
A II Conferência dos Intelectuais de África e da Diáspora (II CIAD) reunirá até sexta-feira cerca de mil participantes que abordarão questões ligadas ao continente e à contribuição dos seus filhos para o seu desenvolvimento.
A reunião conta com a participação dos Presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, do Botswana, Festus Mogae, de Cabo Verde, Pedro Pires, da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, do Gana, John Kufuor, do Senegal, Abdoulaye Wade, e da Comissão da União Africana (UA), Alpha Oumar Konaré.
A primeira-ministra da Jamaica, Portia Simpson-Miller, o Vice- Presidente da Tanzânia, Ali Mohammed Shein, o vice-presidente da Assembleia Nacional do Senegal, Iba Der Thiam, o embaixador de Angola na Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), Jaka Jamba, a vencedora do Prémio Nobel da Paz de 2004, a queniana Wangari Maathai, o ministro brasileiro da Cultura, Gilberto Gil, e os seus homólogos angolano, Boaventura Cardoso, e senegalês, Mame Birame Diouf, também assistem à conferência.

12 يوليو 2006 22:12:00




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