Vozes hostis à chegada da força africana no Burundi

Bujumbura- Burundi (PANA) -- Vozes hostis erguem-se no seio dos líderes de opinião burundesa para rejeitarem a ideia da chegada de uma força de manuntenção da paz prometida pela União Africana (UA), na sequência da assinatura de um acordo de cessação das hostilidades na guerra civil destes últimos dez anos no Burundi, observou a PANA no local.
A última tomada de posição contra uma tal força estrangeira de interposição foi expressa no quadro das conferências-debates da associação de luta contra o genocídio (ACG), no país.
A associação organiza todos os dias 21 de cada mês conferências públicas muito concorridas sobre o "genocídio" de 1993 que se seguiu ao assassinato, num golpe de Estado, do presidente democraticamente eleito Mechior Ndadaye.
Os membros e simpatizantes da ACG reuniram-se terça-feira em Bujumbura para abordarem especialemente a questão da força de manuntenção da paz, que continua a provocar reacções desde o seu recente anúncio.
Para Bamboneyeho, presidente da ACG de origem Tutsi, etnia minoritária que domina o Exército governamental, "receia-se muito a presença de militares estrangeiros armados até aos dentes, que terão como missão entre outras, particularmente o desarmamento das forças nacionais de defesa e de segurança".
Além disso, a história demostrou no vizinho Burundi, que este tipo de intervenção militar estrangeira nunca resolveu nada.
"Temos ainda na memória o drama do Rwanda e os seus milhares de capacetes azuís", acrescentou Bamboneyeho, antes de recordar que tudo o que as forças das Nações Unidas souberam fazer, enquanto o Rwanda estava em chamas em 1994, foi abandonar em primeiro lugar este país.
A solução para Bamboneyeho é que os Burundeses se organizem "para preservarem a soberania nacional".
Recorde-se que a recente visita do vice-presidente sul-africano, Jacob Zuma, a Bujumbura, a capital, suscitou por parte de uma organização paramilitar Tutsi, manifestações contra a presença no Burundi de um destacamento de Pretória encarregue pela segurança das instituições.

22 Janeiro 2003 12:08:00




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