Visita de Bush a África vai ofuscar a cimeira da UA ?

Joanesburgo- África do Sul (PANA) -- Destacando dois eventos importantes que terão lugar esta semana - a cimeira da União Africana (UA) e a visita do Presidente dos Estados Unidos, George Bush, a África - o jornal independente sul-africano "Sowetan" exprimiu receios segunda-feira de que a visita possa ofuscar a cimeira da UA em Maputo (Moçambique).
"É certamente uma coincidência fortuita que o Presidente dos Estados Unidos, George Bush, deverá visitar África na semana em que o continente reúne uma das suas mais importantes cimeiras anuais", refere o jornal.
"Mas, embora a coincidência não tenha sido planeada, a visita de Bush demonstrou até agora todos os sinais de ofuscação do encontro mais importante da União Africana em Maputo, capital de Moçambique", sublinha.
O jornal realça que a guerra recente dos Estados Unidos no Iraque confirmou que a América é a única potência militar hegemónica no mundo com poder económico e que esta não é uma boa razão para permitir que a visita de Bush desvalorize o encontro de Maputo.
Salienta que a presença do Presidente norte-americano no continente ressalta todas as razões do porquê que África se deveria destacar internamente.
"A sua administração é responsável por medidas que ameaçam milhões de estruturas de sobrevivência em África ao invés de tirar da pobreza estes agricultores de subsistência.
O Centro Internacional para o Comércio e Desenvolvimento Sustentável estima que os Estados Unidos subsidiam os seus produtores de algodão com 4 biliões de dólares - o suficiente para destruir os meios de subsistência de 10 milhões de oeste-africanos que dependem destas colheitas", afirmou o periódico.
O Sowetan referiu que a promessa de Bush de financiar a luta contra a SIDA com 15 biliões de dólares nos próximos cinco anos está grandemente comprometida pela relutância da administração de dar aos países africanos o direito de importar medicamentos patenteados mais baratos.
Segundo o jornal, "a questão deve ser colocada: os pobres como nós, o que podemos fazer para libertar o continente da pobreza, do sub-desenvolvimento e conflito? A resposta deve ser: há muito que podemos fazer".
O periódico instou os líderes africanos que se vão reunir em Maputo para investirem o seu tempo nos esforços para garantir que as instituições preconizadas no Acto Constitutivo da UA sejam criadas com a maior urgência.
"Não devemos assumir que por acharmos que as nossas próprias tarefas são urgentes e importantes o mundo vai concordar connosco.
O Iraque demonstrou isto.
Apesar dos nossos apelos de que a guerra no Iraque iria afectar o crescimento e o desenvolvimento de África, Bush mesmo assim foi adiante", diz o jornal.
Refere que a visita de Bush iria inspirar a UA a lançar o continente num caminho de crescimento e prosperidade sobretudo baseado na sua própria força em vez de esperar por doações dos Estados Unidos, que o jornal considerou que serão feitas com duras condições "se vierem mesmo".
Relativamente a cimeira da UA, o jornal privado "Citizen" destacou as contribuições dos Estados membros no órgão continental e instou a UA, que necessita de 41 milhões de dólares para a sua operacionalidade, a economizar.
"A sugestão mais recente é para que os membros mais ricos paguem substancialmente mais.
Dois países destacam-se proeminentemente - a África do Sul e a Líbia - que pretendem albergar a sede do Parlamento Panafricano", sublinha.
"Parece que nós (a África do Sul) teremos de pagar por África, o que é doloroso, tendo em conta que nunca há dinheiro suficiente para as nossas próprias estradas, hospitais, escolas e serviços sociais.
Pelo menos a UA podia reduzir a sua extravagância", refere o Citizen.
Comparado com a Líbia, o jornal afirmou que a África do Sul é um farol de esperança e que para África ter êxito, Pretória deve assumir um papel de destaque.

07 Julho 2003 17:05:00


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