União Africana vai intervir em conflitos internos

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- Líderes africanos reunidos em Addis Abeba na Cimeira extraordinária da União Africana concordaram segunda-feira em criar um Conselho de Segurança e Paz, incumbido de intervir em conflitos internos nos estados membros da organização.
A Cimeira, a primeira desde a criação da UA em Durban no ano passado, aprovou a maioria das emendas ao Acto Constitutivo da União.
O Conselho Executivo da UA havia deliberado sobre essas emendas durante a sua sessão realizada sábado.
Segundo o porta-voz da UA, Desmond Orjako, a Cimeira "estabeleceu um recorde terminando a tarefa em 20 minutos.
" Orjako disse que cerca de 30 países assinaram o protocolo para a criação do Conselho de Segurança e Paz.
A Argélia foi o primeiro país a ratificar o documento no mesmo dia que este foi adoptado na Cimeira.
Os líderes da UA concordaram que depois do protocolo se tornar efectivo, eles teriam poderes para intervir em países que sejam assolados por guerra.
O Cefe de Estado sul-africano, Thabo Mbeki, actual Presidente da UA, instou os seus homológos a tornarem o Conselho de Segurança Africano numa realidade.
Adiantou que este órgão deveria ter mais poder para lidar com conflitos do que um outro similar que a extinta Organização de Unidade Africana (OUA) havia formado para a prevenção de conflitos.
Os casos nos quais a UA interveria incluem violação da lei e da ordem.
Falando a jornalistas depois de Cimeira, Orjako recusou-se a revelar se a medida tomada pelos líderes africanos levaria ao estabelecimento de uma força Panafricana de manutenção de paz.
O porta-voz da UA sublinhou que o assunto tinha sido mencionado no encontro e o governo sul-africano havia indicado que realizaria uma reunião no final do ano onde seriam discutidas profundamente as vantagens de tal força.
Entretanto, a Cimeira reconheceu o papel dos africanos na diáspora para o desenvolvimento de África, tendo os Chefes de Estado concordado que eles deviam participar na melhoria do continente.
Houve um acordo unânime de que o papel da mulher deve ser reforçado na UA e que a organização deveria assegurar a sua participação completa e efectiva no processo político.
A Cimeira concordou igualmente em desenvolver e promover políticas comuns sobre relações externas e comércio, sublinhando que nenhum estado membro deve fazer alianças ou acordos onde hajam conflitos de interesses com o que é defendido pela UA.

03 Fevereiro 2003 18:04:00


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