União Africana reforça proteção de civis na RCA

Addis Abeba, Etiópia (PANA) - Mais tropas serão desdobradas na República Centroafricana (RCA) abalada por conflitos sociais para "reforçar" a luta contra os grupos rebeldes, segundo o Conselho de Paz e Segurança da União Africana (CPS) reunido sábado em Addis Abeba.

O Conselho de 15 membros reuniu-se para examinar a situação de segurança na RCA, depois dos recentes massacres de trabalhadores humanitários, ato que o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) qualifica de "demónio da purificação religiosa".

Quatro unidade de Polícia de 140 elementos cada vão elevar para 560 os efetivos das brigadas de Polícia antimotim no terreno, enquanto o envio de 350 soldados suplementares especializados em engenharia e transmissões foi aprovado pelo CPS.

"O objetivo deste envio da missão internacional africana de apoio à República Centroafricana sob a liderança africana (MISCA) é facilitar a fase inicial de estabilização da situação para balizar a via a compromissos mais firmes e mais sustentados da comunidade internacional", indica o comunicado do CPS no termo da reunião organizada em Addis Abeba.

Segundo a nota, a situação continua preocupante nalgumas localidades, e os esforços em curso deverão continuar para reforçar a proteção das popualações civis, concluir a neutralização dos grupos armados e criar um ambiente propício ao regresso rápido das pessoas deslocadas.

O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV), a Grã-Bretanha e a Irlanda declararam a sua "profunda tristeza e desolação" depois do massacre de dois dos seus agentes sábado por homens armados na RCA.

António Guterres, chefe do ACNUR, afirmou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que a violência na RCA é uma das piores crises no mundo nos seus últimos oito anos à frente do o ACNUR.

"A situação é dramática e os refugiados chegam magoados, esfomeados e extremamente vulneráveis depois de terem marchado e ficado escondidos na floresta durante dias e semanas", declarou Guterres.

No seu entender, esta crise não tem paralelo com as anteriores que já abalaram a RCA, onde pelo menos 290 mil pessoas foram forçadas deixar as suas casas desde o golpe de Estado militar levado a cabo pelos ex-rebeldes da Seleka que destituíram o Presidente François Bozize.

O CPS da UA saudou os progressos já realizados para facilitar o desdobramento total duma força de seis mil elementos, autorizada pela MISCA, e a aplicação dos planos de envio.

Congratulou-se igualmente pelo regresso da normalidade a algumas localidades sob controlo da MISCA e da operação francesa, Sangaris.

O Conselho tomou nota da retomada gradual das atividades nalgumas localidades e saudou ainda a criação dum corredor humanitário para desempenhar o papel de centro de supervisão para as operações humanitárias, enquanto o Conselho de Segurança das Nações Unidas pretende redigir uma resolução para a retomada das operações de manutenção da paz na RCA.

A crise na RCA agravou-se com o aparecimento do grupo rebelde da Seleka, que provocou o nascimento dum grupo antagónico, os antibalaka, resultando na subida da violência essencialmente contra a comunidade muçulmana e que poderá favorecer a entrada no conflito de grupos do terrorismo internacional.

A UA espera que a transferência da autoridade da MISCA para uma missão aprovada pelas Nações Unidas será efetiva até 14 de setembro, insistindo no facto de que a decisão que a ONU  a assumir as operações de manutenção da paz na RCA deve obter o aval firme do Governo.

Ela insiste igualmente em que o Conselho de Segurança das Nações Unidas conceda um papel acrescido aos líderes da região no plano da manutenção da paz na RCA.

-0- PANA AO/MA/ASA/SSB/MAR/IZ 09março2014

09 Março 2014 17:22:27




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