Um terço da população do norte pode morrer de tripanosomíase

Luanda- Angola (PANA) -- "Um terço(cerca de um milhão)da população do norte de Angola pôde ser dizimada pela doença do sono caso não se tomem medidas urgentes visando estancar a endemia", denunciou quinta-feira, em Luanda, o director do Instituto de luta contra a tripanosomíase, Teófilo Josenando.
"Temos que trabalhar muito porque existe uma situação catastrófica no norte do país onde a taxa de prevalência anual da doença é de 50 por cento em cada cem mil habitantes", disse.
O médico angolano, que deseja "efectuar um diagnostico urgente para poder tratar todo elemento contaminado" advoga também a exterminação do vector da epidemia, "como forma de lutar também contra a pobreza".
"As províncias do Zaire, Uije, Malanje, Kwanza-Norte, Kwanza-Sul, Luanda e Bengo(com um total aproximao de cinco milhões de habitantes) são as sete regiões angolanas que mais sofrem com a doença", recordou Teófilo.
Josenando revelou que em 2002 foram detectados quatro mil casos de tripanosomíase na capital angolana, onde habitam cerca de três milhões de pessoas".
"Das 18 provincias que compõem o país, 14 tem glocina (que são potencais locais para a expansão da doença)", indicou também o médico ao sair de uma reunião de concertação sobre a doença do sono com o vice-ministre angolano da saúde, José Van-dúnem.
Para inverter a situação, Teófilo Josenando apelou à contribuição da sociedade, propondo ainda "uma campanha de vacinação sincronizada entre Angola e a vizinha República Democrática do Congo".
Por outro lado, resultados de um estudo recentemente publicado indicam que "mais de mil cabeças de gado bovino espalhado pelas regiões em que o vector da doença se faz sentir foram afectadas".
Para se fazer face a situação, prosseguiu, são necessários cinco milhões de dolares para se investirem na criação de 22 equipas móveis, 43 unidades fixas e na compra e reposição de material gastável.
A doença do sono é transmitida pela Mosca tsé-tsé, que espalha a tripanosomíase humana africana e a animal.
O vector que infecta o animal não é nocivo ao homem, enquanto o que contamina o ser humano pode também atacar os animais.
Em África, Angola, a RD Congo e o Sudão são os países mais atingidos pela tripanosomíase.

10 Janeiro 2003 14:53:00


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