Ultimato da UA contra Mauritânia largamente comentado neste país

Nouakchott- Mauritânia (PANA) -- O ultimato da União Africana (UA) que exige a libertação do Presidente destituído, Sidi Mohamed Ould Cheikh Abdallahi, e o regresso à ordem constitucional constituiu o essencial dos comentários dos raros jornais publicados esta semana na Mauritânia, por ocasião da festa de Korité (fim do ramadão).
Este ultimato, que expira a 6 de Outubro corrente, foi dado às novas autoridades mauritanas a 22 de Setembro passado em Nova Iorque, nos Estados Unidos, no final duma reunião do Conselho de Paz e Segurança da UA, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas.
O semanário Le Calame não esconde a sua preocupação, ressaltando que "nunca, desde 6 de Agosto último (dia do golpe de Estado militar na Mauritânia), a Mauritânia foi tão próxima do embargo que a comunidade internacional ameaça impor-lhe".
"Os Estados Unidos deram o primeiro passo neste sentido excluindo-nos do Millenium Challenge (MCA), que nos devia dar 25 milhões de dólares logo depois, e algumas centenas de milhões nos próximos anos", indica o jornal, lamentando que os militares mauritanos não pareçam tomar a sério o ultimato.
O Millenium Challenge Account (MCA) é um novo programa americano para os paúises em desenvolvimento baseado em acordos bilaterais a favor dos paíss pobres que empreenderam reformas económicas para obter a ajuda norte-americana.
Os países candidados a esta ajuda devem responder positivamente a 16 critérios, entre os quais a integridade dos governantes avaliada pela Transparência Internacional (TI), o respeito pelas liberdades civis, pelas despesas de saúde e educação, bem como pelo tempo necessário à criação de empresas.
Por sua vez, o diário L'Authentique referiu-se à posição dos adeptos da junta militar no poder que afirmam que "a Mauritânia não tolerará a transgressão da sua soberania".
Para estes pró-golpistas, acrescentou o jornal, "a Mauritânia está pronta para se defender diante de qualquer ingerência externa, seja ela militar, política ou económica".
Também partilha esta posição os parlamentares favoráveis ao chamado "movimento de rectificação", alusivo ao golpe de Estado militar de 6 de Agosto de 2008, perpetrado pelo Alto Conselho de Estado (HCE), junta militar dirigida pelo general Mohamed Ould Abdel Aziz, que destituiu o regime do então Presidente Sidi Mohamed Ould Cheikh Abdallahi, democraticamente eleito em 2007.
Quanto ao diário Le Rénovateur, a crise política que assola o país há mais de três meses revelou um sistema político deficiente e aleatório.
"Os nossos homens políticos, os que podem trazer esclarecimentos às nossas perguntas, não tiveram o tempo necessário para reflectir verdadeira e seriamente sobre a eficiência e a viabilidade das nossas instituições", conclui o jornal.

04 Outubro 2008 13:00:00


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