UA quer reforçar missão de manutenção da paz em Darfur

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- Apesar de ter pago um pesado tributo para assegurar as operações de manutenção da paz em vários locais de África atormentados por confrontos, a União Africana (UA) declarou quinta-feira a necessidade de reforçar com seis batalhões a sua força presente em Darfur, no oeste do Sudão.
Esta decisão, tomada pelo Conselho de Paz e Segurança (CPS) da UA, foi motivada pelo aumento dos ataques contra as tropas da Missão da UA no Sudão (AMIS), e contra o pessoal dos organismos humanitários não governamentais que operam em Darfur.
A AMIS perdeu a 1 de Abril último cinco soldados senegaleses abatidos por elementos dum grupo rebelde na região, enquanto um helicóptero que transportava o vice-comandante da força, general Ephreimb Rurangwa, foi alvo de tiros a 31 de Março de 2007.
"Há pontos fracos na AMIS, por isso instamos a comunidade internacional a reforçar a força e a dar o seu apoio material", declarou o presidente do CPS, o embaixador James Kalilangwe do Malawi.
Falando aos jornalistas no termo duma sessão de dois dias do CPS especialmente dedicada à situação em Darfur, Kalilangwe sublinhou a necessidade duma "missão mais forte" para assegurar a manutenção da paz em Darfur.
"O Conselho está muito preocupado pelos ataques contra os agentes da UA.
Os soldados estão nesta região para assegurar a manutenção da paz e não para combater", indicou.
O CPS recomendou um inquérito sobre todos estes incidentes, particularmente os ocorridos nas duas últimas semanas.
Um comunicado publicado no termo do encontro do CPS precisou que vários veículos pertencentes aos organismos humanitários que intervêm em Darfur foram roubados, enquanto algumas mulheres membros do pessoal das ONGs foram assediadas sexalmente e violadas.
"Tudo isto é inaceitável", frisou Kalilangwe, exprimindo assim o choque e a indignação do Conselho.
"Algumas das nossas preocupações foram abordadas com o Governo do Sudão", disse, sublinhando as restrições nos movimentos da AMIS, bem como o atraso na autorização dos voos para os países que enviam as suas tropas para a concessão de vistos.
"Apelamos ao Governo do Sudão a assegurar que as autorizações de voos sejam dadas de maneira rápida e no momento oportuno", insistiu.
"A violação do acordo de cessar-fogo por todas as partes é igualmente uma preocupação para nós", sublinhou Kalilangwe.
Além disso, os países cujas tropas fazem parte da AMIS bem como os parceiros da UA que deram apoio financeiro, material e logístico às operações de manutenção da paz em Darfur organizaram uma reunião de coordenação na sede da UA para discutir a situação crítica nesta região e analisar uma melhor forma de a gerir.

06 Abril 2007 09:33:00




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