UA quer aumentar tropas da paz em Darfur

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- A União Africana (UA) anunciou segunda- feira estar em consultas com os Estados membros para fornecerem mais tropas para a missão de manutenção da paz na conturbada província oeste-sudanesa de Darfur.
O presidente da Comissão da organização continental, Alpha Oumar Konaré, declarou que a Missão da UA no Sudão (AMIS) possui actualmente cinco mil e 585 militares e mil e 408 polícias civis contra os seis mil e 171 militares e mil e 560 civis inicialmente autorizados.
Num relatório entregue ao Conselho de Paz e Segurança (CPS) da UA, Konaré disse que a insegurança actualmente reinante em Darfur tem tido reflexos negativos sobre os direitos humanos e a situação humanitária local.
Cerca de três milhões e 500 mil pessoas precisam de assistência humanitária em Darfur, declarou Konaré numa reunião ministerial do CPS sobre a situação da região, na sequência da assinatura do Acordo de Paz para Darfur a 5 de Maio em Abuja, Nigéria.
Konaré afirmou ainda que a polícia civil da AMIS aumentou a sua presença no seio da população local, particularmente nos campos de deslocados, acrescentando que o número de postos policiais também vai crescer de 26 para 65 num futuro próximo.
"O plano de transição da polícia da AMIS (para a proposta operação da ONU) deve maximizar os contactos com todas as comunidades designadas de Darfur, colaborar fortemente com a Força de Protecção, aumentar os contactos com os deslocados e com as forças policiais do governo do Sudão, assim como melhorar os processos operacionais/administrativos", disse.
Explicou que a insuficiência do pessoal militar deveu-se sobretudo ao facto de que apenas 285 dos 768 soldados sul-africanos inicialmente previstos foram desdobrados até agora.
"As consultas estão em curso com alguns Estados membros, particularmente o Senegal, para garantir as tropas adicionais necessárias", declarou Konaré, acrescentando que "o recrutamento do pessoal de apoio civil registou atrasos apesar da adopção de um sistema para acelerar o processo.
Além do monitoramento do cessar-fogo em Darfur, a AMIS será necessária para patrulhar as zonas desmilitarizadas, monitorar o desengajamento e redesdobramento das Forças Armadas do Sudão e outras, estender as actividades da sua polícia civil e fiscalizar e verificar a neutralização e o desarmamento das milícias Djandjawid pelo governo do sudanês.
A insegurança que persiste na região foi caracterizada por violações do cessar-fogo, actividades de grupos armados, sequestros de veículos, ataques de aldeias e assassinato de civis desarmados pelas várias partes, particularmente pelos Djandjawid.
Além da falta de financiamentos e da redução significativa do acesso devido à insegurança crescente, a comunidade humanitária tem enfrentado restrições progressivas impostas por agentes governamentais e dos movimentos rebeldes.
"Gostaria de aproveitar esta oportunidade para apelar ao governo sudanês para dar todos os passos necessários e facilitar o trabalho das agências humanitárias, particularmente com relação aos vistos, às autorizações e à circulação interna", instou.
Com a implementação do Acordo de Paz de Abuja, uma das principais tarefas será a publicidade e a campanha da imprensa na região, para explicar as disposições e os benefícios do pacto para a população.
Pelo menos 23 líderes tribais da região assinaram um comunicado expressando o seu apoio ao acordo de paz e a sua determinação pelo seu cumprimento escrupuloso.

15 Maio 2006 22:25:00




xhtml CSS