UA prepara programa de reconstrução da Somália

Mogadíscio- Somália (PANA) -- Apesar das difíceis tentativas lançadas para restaurar a calma e o bom senso na Somália, a União Africana (UA) tenciona elaborar um programa de reconstrução do país, devastado por sucessivas guerras civis, com o envolvimento de todos os actores internos e externos, soube-se junto dum alto responsável da organização continental.
O comissário da UA para a Paz e Segurança, Said Djinnit, afirmou que o processo de reconciliação política e nacional da Somália, a segurança pública, as questões humanitárias, a reabilitação das infraestruturas públicas e o reforço das capacidades institucionais serão assumidos pelo programa projectado.
"O objectivo global é permitir às instituições locais funcionar com eficácia", explicou Djinnit.
Por ocasião duma reunião a 13 de Janeiro de 2008 em Mogadíscio com o novo primeiro-ministro somalí, Nur Hassan Hussein, e o seu Governo, Djinnit indicou que a UA desempenhará o papel de facilitador do roteiro, em colaboração com o Conselho de Segurança das Nações Unidas, com a Liga Árabe (LA) e com os Estados membros da organização panafricana que forneceram contingentes no quadro da operação de manutenção da paz na Somália.
Lembrando como a situação na Somália registou uma nova fase após os confrontos entre as tropas etíopes e as forças da União dos Tribunais Islâmicos (UTI), em Dezembro de 2006, Djinnit deplorou que a comunidade internacional não tenha aproveitado esta oportunidade para ajudar a população.
"Apesar da insuficiência dos seus recursos e das suas capacidades, a UA tomou, em Janeiro de 2007, a decisão histórica de enviar uma operação de apoio à paz à Somália", notou.
Explicou que o objectivo é não apenas fornecer um apoio à segurança, mas igualmente apoiar o processo político no país e facilitar a ajuda humanitária a favor das populações que sofrem da guerra há 16 anos.
Desde então, tendo em conta os seus problemas económicos, a UA enfrentou dificuldades, procedendo ao envio de tropas de manutenção da paz, equipando-as e velando pela sua manutenção numa situação explosiva.
"Mais de um ano após esta decisão, nós, da União Africana, estamos produndamente frustados por constatar a ausência de apoio da comunidade internacional em geral.
O processo de paz não beneficiou de nenhum apoio real", deplorou Djinnit.
A Somália é provavelmente o país do continente africano que levanta os problemas de segurança mais importantes e os líderes africanos interrogam-se porque o Conselho de Segurança hesitou em fazer face às suas responsabilidades universais no domínio de manutenção da paz e segurança neste país.
Na sua última apreciação da situação no país, a Comissão da UA constata que os actores somalís e a comunidade internacional falharam a oportunidade que lhes foi oferecida para mobilizar a vontade política necessária para instalar de maneira duradoura a paz e a reconciliação no país.
Durante a sua Cimeira prevista para a próxima semana em Addis Abeba, capital da Etiópia, os chefes de Estado africanos deverão abordar uma vez mais a espinhosa questão da Somália.
No entanto, desta vez eles deverão aprovar a proposta da Comissão que deseja a elaboração dum roteiro após a Cimeira.
Além disso, os sofrimentos da população, de mulheres e crianças desarmadas, que conheceram vários anos de infelicidade e sobreviveram a toda uma série de catástrofes na Somália, deverão interpelar a consciência dos grandes líderes políticos do continente.
Para todos os que não estiveram em contacto com a realidade no terreno, os relatos desagradáveis das condições de sobrevivência dos seres humanos nas ruínas de Mogadíscio, de Baidoa, de Kismayu ou em algumas zonas na Somália parecer ficção em vez duma descrição da realidade.
Segundo um jovem habitante de Mogadíscio, que falava à PANA, a herança da guerra e da anarquia transformaram vários Somalís em tubarões.
Qualquer pessoa pode ser a qualquer momento vítima dum homem armado que circula nas ruas ou de peixes carnívoros que perturbam as águas do Oceano Índico.
Djinnit notou, todavia, que as coisas deverão mudar em breve.
As recentes declarações de altos dirigentes da Somália a favor do processo inclusivo de diálogo nacional suscitaram na UA um certo optimismo quanto às possibilidades de dar de novo ao país uma imagem atractiva.
"Os nossos recursos são limitados, mas temos grandes ambições para a Somália e gostaríamos de desempenhar o papel de facilitadores do processo, contanto que os Somalís estajam determinados em trabalhar juntos", afirmou Djnnit.
Por outro lado, o primeiro-ministro somalí transferiu a sua Administração, que deixou a sua sede provisória de Baidoa para se instalar na capital, Mogadísico, afirmando que o Governo está determinado em criar um ambiente seguro e no qual o Estado de Direito prevalecerá.
"Fazemos o possível para criar as forças de Segurança da Somália, formada com a ajuda da AMISON (Missão da UA na Somália).
Subsistem ainda várias lacunas e insuficiências, mas o nosso objectivo é dispor de forças de segurança capazes de proteger as vidas e os bens das populações somalís", sustentou.
O primeiro-ministro somalí afirmou que "as populações precisam ter a sua própria Polícia e o seu próprio Exército e estamos impacientes de ver a Missão das tropas da AMISON expirar".
Não há dúvidas de que os Somalís devem implementar as suas próprias instituições susceptíveis de garantir a segurança e a estabilidade necessárias para a sua sobrevivência e o relançamento definitivo do seu país.

25 Janeiro 2008 10:44:00




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