UA pede exame de relatório sobre finanças e gestão

Por Abwao Oluoch- Correspondente da PANA Addis Abeba, Etiópia (PANA) -- A União Africana (UA) instaurou um painel de ministros dos Negócios Estrangeiros encarregue de examinar pormenorizadamente nas próximas duas semanas o relatório redigido para fazer o balanço sobre as finanças e a gestão da organização panafricana, soube-se terça-feira em Addis Abeba.
O novo painel foi instituído durante os debates do Conselho Executivo da UA sobre as perspectivas de industrialização do continente africano.
Os ministros presentes no encontro disseram-se confiantes dos progressos realizados durante o debate sobre a industrialização, que tem igualmente por finalidade promover a unidade de África no quadro das negociações internacionais.
"O ponto mais importante da agenda do encontro visava permitir o exame da questão da industrialização.
A aposta consiste em encontrar os meios para a fazer avançar.
Existe um relatório da União Africana sobre a industrialização e vamos examiná-lo", afirmou o ministro tanzaniano da Indústria, Basil Mramba, numa entrevista à PANA.
Os ministros africanos insistiram na necessidade de transformar as matérias primas consideráveis do continente como base para a descolagem da sua industrialização.
"Acordámos na questão das infra-estruturas, dos caminhos-de-ferro, das redes rodoviárias, das telecomunicações bem como no facto de que, enquanto Africanos, não devemos vender barato as nossas matérias primas.
Devemos fabricar os nossos próprios produtos", sublinhou o ministro.
Os ministros adoptaram as medidas que se impõem para assistir o desenvolvimemnto do continente, insistindo na necessidade da aplicação duma política promotora dos investimentos inter-africanos.
Mramba notou depois que as medidas tomadas para intensificar os investimentos entre Africanos, trocar perícia técnica e reforçar as telecomunicações em África são essenciais para a realização do sonho da industrialização do continente.
Além disso, o director-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) afirmou que a organização está disposta a partilhar a sua perícia com vista à gestão das questões que revestem um interesse para o continente africano, nomeadamente a utilização racional dos recursos hídricos em benefício da África inteira.
"Reconhecemos que a mudança climática será um dos maiores desafios de África e pomos à disposição os recursos mobilizados por meios próprios e junto dos parceiros internacionais para ajudar África a fazer face aos problemas de penúria de água e de seca", explicou Jacques Diouf.
O Conselho Executivo, um organismo dotado de importantes poderes e agrupando os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países membros da União, aceitou igualmente compromissos em várias questões, em particular na organização de eleições para os postos de presidente da Comissão e dos outros membros da Comsissão.
Fontes próximas do Conselho Executivo revelaram que a decisão de instaurar um painel ministerial encarregue de examinar as contas da organização foi tomada após longas discussões sobre a auditoria, que recomenda, entre outros, a tomada de medidas corajosas para receber os fundos desviados.
A auditoria revelou que os órgãos executivos e peritos da UA conheceram graves disfunções e que créditos de centenas de milhares de dólares foram gastos irregularmente, sem a aprovação do Conselho Executivo.
A auditoria preconizou, em particular, medidas muito severas contra o Parlamento Panafricano, acusado de não ter feito avançar as questões que preocupam os Africanos, gastando ao mesmo tempo milhões retirados dos contribuintes africanos.
O secretário-geral do Parlamento Panafricano, Warunga Murumba, julgou fundadas as conclusões da auditoria, que criticou, a justo título, diversos aspectos administrativos que serão rectificados para uma racionalização das operações da instituição parlamentar.
Numa entrevista, Murumba explica que as recomendações dos autores da auditoria são o reflexo da realidade a que o Parlamento Panafricano deve fazer face para o êxito da racionalização das suas despesas.
Os deputados com assento no Parlamento Panafricano atribuíram-se per diems de 400 dólares americanos quando as regras em vigor exigem que os membros do Parlamento obtenham fundos dos seus Parlamentos nacionais respectivos.
Vários dirigentes africanos chegaram a Addis Abeba, onde decorre a partir desta quinta-feira a Conferência dos chefes de Estado e de Governo da União.
É durante este encontro de alto nível que será eleito o presidente da Comissão, antes do exame da questão da industrialização do continente.
O Gabonês Jean Ping, que presidiu à última Assembleia Geral das Nações Unidas, é dado como favorito para o posto, mas Inonge Lewanika, da Zâmbia, representante do seu país nos Estados Unidos, é igualmente uma séria concorrente.

31 Janeiro 2008 17:56:00




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