UA optimista quanto à retomada de negociações sobre Darfur

Abuja- Nigéria (PANA) -- A União Africana (UA), medianeiro nas negociações de Darfur (oeste sudanês), que retomam sexta-feira em Abuja, na Nigéria, expressou o seu optimismo quanto ao sucesso deste encontro entre o governo e os dois principais grupos rebeldes sudaneses, declarou sexta-feira em Abuja o seu porta-voz, Nurudeen Mezni.
Trata-se do Movimento para a Libertação do Sudão (SLM) e o Movimento para a Igualdade e a Justiça (JEM).
Nurudeen Mezni indicou que os líderes africanos trabalharam discretamente desde Dezembro de 2004, após o adiamento das negociações, para buscar um consenso sobre diferentes pontos litigiosos entre as partes em conflito.
"O presidente em exercício da União Africana manteve uma série de encontros com todas as partes sobre os pontos litigiosos e avistou-se recentemente com o Presidente sudanês, Omar El Bashir, em Cartum", deu a conhecer o porta-voz da UA.
"Tudo está pronto para se iniciarem as discussões que vão fortalecer a posição do líder da UA, mas estamos igualmente satisfeitos com o papel desempenhado pelos nossos parceiros neste processo, e estamos prontos para continuar a colaborar com eles", assegurou.
Mezni anunciou também a presença em Abuja dos oficiais da UA, nomeadamente o presidente da Comissão da organização continental, Alpha Oumar Konaré, e o chefe da mediação da UA e representante especial da Comissão sobre Darfur, Salim Ahmed Salim.
Ele afirmou ainda que os representantes do governo sudanês, do SLM e do JEM responderam positivamente ao apelo da UA.
As negociações iniciadas em Agosto de 2004 na Nigéria foram suspensas três meses mais tarde, quando o governo e os rebeldes se acusaram mutuamente de não respeitar o acordo de cessar-fogo anteriormente assinado.
Elas retomam num altura em que o Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia (Países-Baixos) abriu um inquérito sobre os crimes de guerra e outras atrocidades cometidas na conturbada região de Darfur.
Entre 180 mil a 300 mil pessoas morreram e mais de dois milhões de outras foram forçadas a abandonar as suas casas desde o eclodir dos combates, em 2003, entre o governo e as forças rebeldes.
A UA solicita presentemente a ajuda financeira, militar e logística, assim como outros apoios para aumentar até Setembro próximo o seu efectivo militar em Darfur, de cerca de três mil a oito mil homens.

10 Junho 2005 19:50:00




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