UA e ONU instados a proteger civis no leste do Tchad

Dakar- Senegal (PANA) -- Enquanto os líderes da União Africana preparam a sua cimeira na Gâmbia e o Conselho de Segurança discute do envio de capacetes azuis da ONU a Darfur, a Amnistia Internacional (AI) exige uma acção urgente da parte da comunidade internacional para proteger os civis do leste do Tchad dos ataques transfronteiriços lançados a partir do Sudão.
"É uma verdadeira ocasião, tanto para a União Africana como para as Nações Unidas, de reagir de maneira coordenada e eficaz à crise dos direitos humanos de longa data em Darfur - uma crise que se estende doravante para além da fronteira no Tchad e que poderá desestabilizar a região", declarou a secretária-geral de Amnistia Internacional, Irene Khan.
"O governo tchadiano deve assumir as suas responsabilidades para garantir a protecção das suas populações civis e requerer a assistência de uma força internacional se necessário", acrescentou Khan num comunicado de imprensa.
A Amnistia Internacional acaba de divulgar um vídeo que mostra cruamente os assassínios e as destruições perpetradas na fronteira entre o Tchad e o Sudão, tendo publicado igualmente um relatório que analisa estes abusos e sublinha a incapacidade dos governos a assumir as suas responsabilidades.
"O governo tchadiano renunciou praticamente a sua responsabilidade de proteger os seus próprios cidadãos ao longo da fronteira com o Sudão, o que os deixa vulneráveis diante dos ataques dos milicanos Jandjawids e à exploração dos grupos armados sudaneses presentes no leste do Tchad.
O governo sudanês permite aos milicianos Jandjawids atacar os civis tchadianos do outro lado da fronteira com total impunidade - matam, pilham e despovoam as terras ao longo da fronteira", alarmou-se a AI.
"Os Jandjawids atacam as comunidades praticamente sem defesa - sem a oposição dos governos do Sudão e do Tchad.
Medidas adequadas devem ser tomadas agora pela comunidade internacional, antes que a situação se degrade ainda mais", defendeu a organização.
A cimeira da UA que decorre esta semana em Banjul deve enviar um sinal claro ao Sudão para lhe dizer que não pode continuar a bloquear o envio de uma operação de manutenção da paz da ONU sem consequências.
"A UA deve estabelecer um programa de acções claras para pressionar o governo sudanês, impondo-lhe por exemplo sanções ou suspendendo a decisão de permitir ao Sudão assumir a presidência da UA em 2007", implorou AI.
O Conselho de Segurança da ONU vai examinar esta semana os resultados da missão de avaliação da ONU sobre o envio de uma missão de manutenção da paz a Darfur.
"A crise no leste do Tchad indica que o tempo avança e que é imperativo que os membros do Conselho se decidam para pressionar o governo sudanês a aceitar uma operação de manutenção da paz em Darfur com um mandato de protecção e capacidade de proibir as incursões transfronteiriças", sublinhou a AI.
"A tragédia dos direitos humanos no leste do Tchad é a consequência directa do conflito em Darfur e cabe à comunidade internacional resolver a crise dos direitos humanos e humanitária nos dois lados da fronteira", sublinha o comunicado.
A AI diz que "não só o Conselho de Segurança da ONU deve fazer mais pressão para cobrir o vazio em matéria de protecção no leste do Tchad, mas deve também fazê-lo urgentemente e não esperar pelo governo sudanês para avançar para Darfur.
As populações do leste do Tchad precisam desesperadamente de protecção e não devem ser os reféns do andamento das negociações com Cartum".
"Enquanto um vazio político e em matéria de protecção instala-se no leste do Tchad, existe um risco real de agravação da situação", declarou a secretária-geral da AI.

30 Junho 2006 09:36:00




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