UA determinada a pôr fim à crise em Darfur

Berlim- Alemanha (PANA) -- A prioridade da União Africana (UA) é pôr fim à miséria e aos sofrimentos da população da região de Darfur (oeste do Sudão) em vez de querer saber se houve ou não limpeza étnica ou genocídio nesta região, declarou um alto funcionário da organização continental.
Numa entrevista exclusiva à PANA, terça-feira, em Berlim, o director da Paz e Segurança do Secretariado da UA em Addis Abeba (Etiópia), Sam Ibok, observou que "se procurarmos qualificar o que se passou em Darfur de limpeza étnica ou de genocídio, isto poderá afectar a nossa capacidade de intervenção enquanto organização panafricana".
"A nossa actual preocupação a nível da União Africana é pormos fim à miséria e aos problemas e teremos ainda tempo de investigar sobre o caso e vermos quem deve ser criticado", declarou Ibok quando reagia a acusações de genocídio em Darfur feitas pelos Estados Unidos contra o governo de Cartum.
O diplomata nigerino falava à margem duma conferência de dois dias, intitulada "O Diálogo Político Internacional", sob o tema "política de desenvolvimento e forças armadas", organizada pelo Ministério alemão do Desenvolvimento Económico e Cooperação Internacional.
Para Ibok, os Estados Unidos chegaram a esta conclusão com base nas suas próprias investigações, disse o funcionário panafricano.
"Quanto a nós, não estivemos em condições de determinar de maneira definitiva se houve genocídio porque não efectuámos nenhum inquérito e a Convenção das Nações Unidas é clara sobre o que se passou e as suas implicações.
É necessário levarmos a cabo um inquérito aprofundado para verificarmos se estas coisas terríveis tiveram lugar", frisou.
Reconheceu, por outro lado, que as forças de protecção ruandesa e nigeriana enviadas pela UA a Darfur "foram muito insuficientes" para fazerem face à situação explosiva nesta conturbada região e onde as milícias árabes Djandjawid forçaram mais de um milhão de pessoas a abandonarem as suas casas.
Mais de 100 mil outras viram-se forçadas a procurar refúgio no Tchad, ao passo que cerca de 30 mil outras teriam morrido durante estes 18 meses do conflito.
Ibok sublinhou que estavam em curso negociações com o governo de Cartum para o aumento do número de tropas da UA em Darfur.
No tocante aos obstáculos emergentes no quadro do acordo sobre a partilha do poder no Burundi, deu a conhecer que o medianeiro sul-africano Jacob Zuma (Vice-Presidente sul-africano) estava a tentar achar uma solução para as objecções levantadas pelo partido UPPRONA de maioria tutsi e os seus aliados.
Indicou que a recente cimeira regional de Dar es-Salaam (Tanzânia), decidiu que as eleições deviam decorrer como previsto, embora as partes devessem dar prova de flexibilidade quanto ao calendário para que todos os problemas pudessem ser resolvidos com antecedência.
No entanto, estimou Iboka, o problema mais irresolúvel no Burundi é o prosseguimento dos combates pela Frente de Libertação Nacional (PALIPEHUTU) de Argaton Rwasa.
"Estamos a trabalhar com os países da região para impormos certas sanções à FNL após esta última ter sido qualificada de organização terrorista, se persistir fora do processo de paz.
Dispomos de meios para fazermos face a esta situação no continente", assegurou.
Em relação às pressões actuais sobre a Nigéria para entregar o ex-Presidente liberiano Charles Taylor ao Tribunal Especial da ONU para a Serra Leoa para que responda por acusações de crimes de guerra, Ibok achou-as injustas porque, explicou, a cimeira da UA em Maputo, em Julho de 2003, tinha aprovado o asilo de Taylor na Nigéria.
Insistiu que a Nigéria "agiu com base em apelos da União Africana e de certos membros da comunidade internacional e do Conselho de Segurança da ONU".
Esta decisão revelou-se necessária porquanto não teria havido paz na Libéria se Charles Taylor não tivesse partido do país, acrescentou o diplomata panafricano.

15 Setembro 2004 19:09:00




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