UA defende ação contra mercenários na Côte d'Ivoire

Addis Abeba, Etiópia (PANA) -A União africana (UA) preconizou o acantonamento dos soldados na Côte d'Ivoire, convidando ao mesmo tempo a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidentale (CEDEAO) a tomar medidas contra numerosos mercenários que se encontrariam na região.

Uma delegação da UA, composta por membros do Conselho de Segurança e Paz (CSP), foi informada, depois de um encontro com embaixadores africanos acreditados na Côte d'Ivoire,  sobre a presença de mercenários « que circulam livremente » neste país e na região oeste-africana.

Num comunicado publicado depois de ter recebido o relatório deesta delegação do CSP, a UA pediu um apoio internacional à reconstrução pós-conflito, ao desenvolvimento, bem como à reforma dos setores de segurança e da defesa ivoirienses.

Ela apelou aos países africanos, em particular os vizinhos da Côte d'Ivoire e aliados internacionais, para tomarem medidas conjuntas a fim de resolver os problemas de segurança, incluindo os causados pela presença de mercenários e outros elementos armados na Côte d'Ivoire.

O relatório da UA foi publicado menos de dois meses depois de os dirigentes oeste-africanos terem pedido à Operação das Nações Unidas na Côte d'Ivoire (ONUCI) e à CEDEAO para  reforçarem o controlo da fronteira entre a Libéria e a Côte d'Ivoire na sequência de um acidente atribuído a mercenários estrangeiros.

Anteriormente, um relatório da ONU pedira patrulhas ao longo dos 700 quilómetros da fronteira entre os dois países para evitar riscos da insegurança ligados à presença de mercenários.

Recentes documentos análogos indicam que mercenários liberianos estiveram atrás dos  quatro meses de crise na Côte d'Ivoire, lutando nas fileiras dos soldados fiéis ao ex-Presidente Laurent Gbagbo e ao seu rival, Alassane Ouattara.

Em junho último, um mercenário ivoiriense, Isaac Chegbo "Bob Marley", que acusou a ONU de ter ordenado o massacre de cívis em nome de Gbagbo, foi detido na Libéria.

Ele teria sob o seu controlo 200 mercenários liberianos favoráveis a Gbagbo.

Um comandante liberiano confessou ter dirigido cerca de 30 mercenários para defender a causa do Presidente Ouattara.

Mas a sua unidade revoltou-se depois por não ter sido paga para as suas missões em abril último na Côte d'Ivoire.

A delegação de UA foi informada sobre as reformas  relativas à segurança em curso no país durante uma reunião com o primeiro-ministro ivoiriense, Guillaume Soro.

«O primeiro-ministro descreveu francamente e de maneira detalhada o quadro da crise pós-eleitoral", indicou a UA no seu relatório sobre a Côte d 'Ivoire.

A crise pós-eleitoral fez três mil mortos e 200 mil refugiados.

-0- PANA AO/SEG/FJG/DIM/DD 13agosto2011

13 août 2011 20:41:08




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