UA apela intelectuais a contribuir para renascimento africano

Salvador- Brasil (PANA) – O presidente da Comissão- da União Africana (UA), Alpha Oumar Konaré, instou quarta-feira em Salvador, capital do Estado da Bahia (nordeste do Brasil), os intelectuais de África e da Diáspora a contribuir para a edificação do renascimento africano.
“África e a sua diáspora devem marcar a sua presença de maneira coerente para enfrentar a realidade dos desafios geopolíticos e confortar o diálogo de civilizações que devem partilhar na sua especifidade os mesmos valores de universalidade”, defendeu o ex-Presidente maliano.
Konaré, que falava na abertura da II Conferência dos Intelectuais de África e da Diáspora (CIAD II), insistiu que o renascimento africano requer "uma estratégia árdua e acções para criar uma outra África de trabalho, de solidariedade, de justiça, de paz, de boa governação, de respeito do Estado de Direito e das liberdades".
Destacou que o projecto do renascimento africano sai reforçado da confrontação de ideias e de influências diversas sobre a multiplicidade de parâmetros ideológicos, culturais, linguísticos, educativos e institucionais.
Apesar da sua separação, prosseguiu, os africanos do continente e os da Diáspora têm uma partilha de valores, de sistemas, de instituições e de cultura.
Konaré tomou a palavra depois das intervenções dos Presidentes em exercício e cessante da Conferência, respectivamente Luiz Inácio Lula da Silva do Brasil e Abdoulaye Wade do Senegal.
Para Konaré, o renascimento africano não pode ser realizado sem a contribuição dos intelectuais de África e da Diáspora pois, explicou, o destino do continente será mudado pelos africanos baseando-se "numa agenda africana elaborada pelos africanos e executada pelos africanos”.
Disse, por outro lado, que Salvador, capital do Estado que alberga a maior população negra depois da da Nigéria, simboliza, mais do que qualquer outra cidade no mundo, uma convergência de culturas que liga o Brasil a África.
Depois de defender a proclamação da escravatura como crime contra a humanidade, Konaré recordou que vários brasileiros “nossos irmãos da mesma família sentiram dolorosamente na carne, no coração e no espírito” as consequências deste mal.
O presidente da Comissão da UA referiu, contudo, que os afro-brasileiros modelaram os traços físicos, a personalidade, a língua, a indumentária, a qualidade de vida, a arte e a cultura brasileiras.
A II Conferência dos Intelectuais de África e da Diáspora reúne até sexta-feira cerca de mil participantes que estão a abordar questões ligadas ao continente e à contribuição dos seus filhos para o seu desenvolvimento.
A reunião conta também com a participação dos Presidentes do Botswana, Festus Mogae; de Cabo Verde, Pedro Pires; da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema; e do Gana, John Kufuor.
Estão igualmente presentes a primeira-ministra da Jamaica, Portia Simpson-Miller; o Vice-Presidente da Tanzânia, Ali Mohammed Shein; e o cantor norte-americano Stevie Wonder.
O vice-presidente da Assembleia Nacional do Senegal, Iba Der Thiam; o embaixador de Angola na Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), Jaka Jamba; a vencedora do Prémio Nobel da Paz de 2004, a queniana Wangari Maathai; o ministro brasileiro da Cultura, Gilberto Gil; e os seus homólogos angolano, Boaventura Cardoso, e senegalês, Mame Birame Diouf, também assistem à conferência.

13 Julho 2006 16:32:00




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