UA adverte rebeldes em Darfur

Addis Abeba- Etiópia (PANA) -- O Conselho de Paz e Segurança (CPS) da União Africana (UA) advertiu os grupos rebeldes que agem de maneira anárquica na província ocidental sudanesa de Darfur assolada pela guerra que não ganharam nada perpetrando ataque contra as unidades da força africana de manutenção da paz posicionada nesta zona.
Condenando o ataque surpresa de sábado perpetrado por rebeldes de Darfur contra o campo da Missão da União Africana no Sudão (AMIS) em Haskanita, o CPS insistiu igualmente na necessidade urgente de julgar os culpados destes actos.
Depois de ter sido informado sobre este ataque pela Comissão da UA, a 94ª reunião do CPS sublinhou a necessidade de tirar lições deste tipo de incidente reforçando a operação de manutenção da paz em Darfur.
"Ninguém deverá ter ilusão de acreditar que ao atacar a AMIS terá uma vantagem em previsão das próximas negociações de paz", afirmou o comissário da União Africana para a Paz e Segurança, Said Djinnit.
Fazendo referência às negociações de paz sobre Darfur, cujo início está previsto para Outubro corrente em Tripoli (Líbia) sob os auspícios da UA e das Nações Unidas, Djinnit explicou que a solução para o conflito será política.
As negociações visam alargar a base de apoio ao Acordo de Paz de Darfur, concluído em Maio de 2005 em Abuja, capital nigeriana, e instaurar uma paz e uma reconciliação duradouras nesta província.
"Este incidente reforçou a determinação da UA em prosseguir os seus esforços em termos de facilitação das negociações de paz.
A UA está determinada em prosseguir o processo político", afirmou Djinnit, ao se dirigir à imprensa no termo da reunião.
Indicou igualmente que o Conselho deu o seu apoio à ideia de abertura dum inquérito conjunto UA/ONU sobre este ataque, que provocou a morte de 10 soldados e fez 10 feridos graves.
"A UA pretende fazer com que um inquérito muito sério seja aberto, com o apoio de peritos africanos e estrangeiros para que os autores deste ataque possam ser identificados e julgados.
Estamos a evoluir num ambiente muito hostil", notou Djinnit, sublinhando a imperiosa necessidade de reforçar a AMIS e de promover a sua posição ao dotar a força africana dos meios de lançar contra-ataques.
"Esperamos que com uma operação reforçada de manutenção da paz através do envio duma missão de paz UA/ONU a Darfur, estaremos em condições de fornecer recursos suplementares às populações", revelou Djinnit, ao se referir aos recursos e às capacidades humanas adicionais em termos de equipamento e de logística susceptíveis de permitir à AMIS cumprir com a sua tarefa.
Num comunicado, o Conselho apresenta as suas condolências às famílias dos soldados da paz que morreram neste ataque e presta homenagem aos Estados membros cujas tropas e outros pessoais prosseguem com a sua missão apesar das circunstâncias difíceis com que estão confrontados em Darfur.
Qualificou o ataque contra a AMIS de "acto hediondo e cobarde perpetrado por elementos animados pelo desejo de pôr em causa o processo de paz e de complicar a situação em Darfur".
No entanto, os chefes dos Estados-Maiores dos países que enviaram elementos à AMIS vão reunir-se antes de finais de Outubro de 2007 na Etiópia e no Sudão para avaliar o mecanismo de manutenção da paz em Darfur e identificar os sectores a melhorar, anunciou o presidente do CPS, o embaixador James Kilalangwe do Malawi.
Os membros do CPS consideram que o mandato da AMIS deverá ser revisto e que uma força poderosa deve ser instalada imediatamente em Darfur.
O Conselho exortou a UA e a ONU a diligenciar o envio da Força Híbrida projectada, que poderá responder aos ataques dos rebeldes com a potência necessária.
"Os nossos filhos e as nossas filhas estão em Darfur para manter a paz.
Não estão aí para atacar ninguém.
São os nossos embaixadores em Darfur.
É injustificável que um qualquer movimento rebelde perpetre ataques contra eles", acrescentou Kalilangwe.
Segundo as disposições do plano UA/ONU, a Força Híbrida, integrada por mais de 19 mil elementos, deverá ser enviada a Darfur o mais tardar em finais de Dezembro de 2007.
Os países que enviaram tropas à AMIS estavam representados na reunião do CPS e reafirmaram os seus compromissos a prosseguir com a missão de manutenção da paz em Darfur, apesar das hostilidades.

04 Outubro 2007 13:52:00




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