UA adia decisão sobre reforma das Nações Unidas

Abuja- Nigéria (PANA) -- A União Africana (UA) encarregou um comité para avaliar de forma exaustiva um relatório que preconiza uma reforma do sistema das Nações Unidas, decisão que contrasta com especulações segundo as quais a cimeira da organização continental em Abuja seria palco de disputas entre os países candidatos a um posto de membro permanente do Conselho de Segurança.
A decisão do Conselho Executivo da UA de criar um comité ministerial de 15 membros, composto pelos ministros dos Negócios Estrangeiros dos países membros, fez baixar momentaneamente a pressão registada depois dos países interessados terem manifestado o interesse de apresentar as suas candidaturas ao posto de membro permanente em representação de África no Conselho de Segurança alargado.
O Egipto, a Nigéria e a África do Sul são os principais candidatos ao posto de membro do Conselho de Segurança da ONU que será reservado ao continente.
Contudo, o Conselho Executivo, que se reuniu na capital nigeriana nas vésperas da cimeira da UA realizada de 30 e 31 de Janeiro, decidiu igualmente pedir dois assentos neste importante órgão das Nações Unidas responsável pela manutenção da paz e da segurança internacionais.
Apesar da declaração do ministro nigeriano da Informação, Chukwuemeka Chikelu, anunciando que os países interessados vão aproveitar a cimeira de Abuja para lançar as suas campanhas com vista à obtenção do assento reservado à África, nenhuma das três potências do continente apresentou publicamente as suas candidaturas.
"A nível do Conselho Executivo, nenhum país apresentou a sua candidatura ao posto", afirmou o porta-voz da UA, Desmond Orjiako.
O porta-voz da UA explicou que o Comité vai reunir-se de 20 a 22 de Fevereiro de 2005, seguido por uma sessão extraordinária do Conselho Executivo no termo da qual será adoptada uma posição africana sobre a questão.
Esta posição, precisou Orjiako, será apresentada ao Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, para a sua inserção no relatório que deve apresentar à Assembleia Geral em Março de 2005.
Orjiako reafirmou o compromisso de África a favor da reforma da ONU, nomeadamente no Conselho de Segurança, onde o continente não dispõe de um posto de membro permanente.
"Manifestamos o nosso interesse na reforma e na democratização das Nações Unidas para que possamos gozar de oportunidades iguais como africanos", afirmou Orjiako à PANA em Abuja.
Pelo facto de as Nações Unidas terem sido criadas antes da independência da maioria dos países africanos, o continente estava largamente excluído deste órgão de decisão.
Aludindo-se a esta realidade numa mensagem endereçada à cimeira de Abuja, o primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, disse que o seu país considera que África deverá ser representada a título permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
"O Japão julga crucial a necessidade de aumentar o número de membros permanentes e não-permanentes do Conselho de Segurança, a fim de juntar os países em desenvolvimento ao lado dos desenvolvidos", frisou o primeiro-ministro nipónico.

31 january 2005 20:24:00




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