Três jornalistas etíopes proibidos de criar jornais

Dakar- Senegal (PANA) -- O Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ), baseado em Nova Iorque (Estados Unidos), apelou ao Governo etíope a autorizar três jornalistas locais a exercer o seu direito de publicar jornais.
Os jornalistas estiveram presos durante 17 meses após as eleições de 2005.
"Apesar das garantias que deu publicamente quanto à possibilidade de os antigos prisioneiros retomarem o seu trabalho, o Governo etíope escolheu ao invés disso utilizar raciocínios administrativos para impedir os jornalistas independentes de dispor dum órgão de imprensa, afirma o director executivo do CPJ, Joel Simon, num comunicado transmitido quinta-feira à PANA.
"Exortamos o Governo a levantar estes obstáculos e a permitir a estes colegas gozar do seu direito de publicar jornais", acrescentou Simon.
Estes jornais deviam ser as primeiras publicações políticas independentes do país desde a decisão das autoridades de proibir oito jornais locais e fechar pelo menos um dúzia após os confrontos pós- eleitorais de 2005, que fizeram vários mortos.
De acordo com o comunicado, a editora Serkalem Fasil, o seu marido, o cronista Eskinder Nega, e o editor Sisay Agena cumpriram com todas as condições previstas pela lei e solicitaram desde Setembro último pedidos de autorização para "Lualawi" e "Habesha", dois semanários de actualidades publicados em amárico.
"Pelo contrário, o semanário de actualidade Addis Neger foi registado em Outubro junto do Ministério em uma hora, soube-se do proprietário e editor-chefe, Mesfin Negash, que nunca esteve preso", indica ainda a nota.
A Lei da Imprensa de 1992 estipula que um novo jornal é considerado como registado depois de o Governo entregar, nos 30 dias consecutivos à apresentação do pedido, uma carta oficial de certificação, documento exigido para a obtenção da licença comercial, constatou o CPJ no termo das suas investigações.
Segundo o CPJ, o ministro etíope da Informação, Berhanu Hailu, e o porta-voz do Ministério, Zemedkun Tekle, não reagiram aos seus apelos, enquanto um outro responsável do Ministério, Fanrahun Asres, chefe do serviço encarregue de entregar as autorizações à imprensa, recusou-se a qualquer comentário sobre este caso.
Contudo, Asres afirmou que informou os jornalistas terça-feira, por telefone, que os seus pedidos foram rejeitados.
Em Outubro último, as autoridades permitiram a abertura de dois órgãos de imprensa independentes - a estação privada "Sheger Radio" e o semanário de actualidades "Addis Neger", apesar de eles serem sujeitos a regras de censura muito estritas, notam os jornalistas locais.
A Etiópia foi classificada pelo CPJ como o pior país em matéria de liberdade da imprensa no mundo em 2007.

04 Janeiro 2008 15:25:00




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